sexta-feira, 30 de maio de 2008

De PORTUCALE a PORTUGAL

O corónimo "Portugal" deriva de Portucale que, como à frente veremos, foi forma toponímica de um lugar na margem esquerda do Douro e de outro na margem direita do mesmo rio, correspondendo a uma tautologia de dois nomes comuns, apelativos de realidades idênticas ou aparentadas, nomes expressos em duas línguas diferentes que conviveram temporal e espacialmente.
Referimo-nos ao latim portus "passagem, entrada de um porto, porto, refúgio, foz dum rio" e ao celta cale-, ainda vivo nas línguas celtas que chegaram aos nossos dias, como é o caso do escocês cala, caladh, "porto de abrigo para navios" e do irlandês caladh, calaì, "cais, molhe, porto", estando documentado o médio-irlandês calad "porto de abrigo para navios, baía". Depois, o tempo foi passando, as gentes foram falando e Portucale acordou "Portugal", ainda o galaico-português pontapeava o ventre materno, por sonorização da oclusiva intervocálica -c- > -g- e posterior emudecimento e apócope do -e final.
A convivência de povos de línguas diferentes, numa mesma região, pode levar ao aparecimento de topónimos diferentes apenas na aparência, já que exprimem o mesmo conceito nos respectivos idiomas. Em zonas de usufruto comum, integradas em vivências deste tipo, aparecem também formações tautológicas, juntando num mesmo topónimo elementos de duas línguas adstratas. Servem como exemplos, no Reino Unido, Cheetwood (no Lancashire), do céltico cheet "floresta" + saxão wood "floresta" e Brill (no Lincolnshire), do céltico bre "colina" + saxão hill "colina"; em Espanha, o Valle de Aran, do espanhol valle "vale" + basco haran "vale"; em Moçambique, o "Lago Niassa", do port. lago + suaíli nyassa "lago"; na Itália, Montegibello (na Sicília), do lat. monte- "monte" + árabe jibal "montes". Para rematar estes exemplos, temos na Escócia uma tautologia idêntica à de Portucale, para identificar um ancoradouro no Kyles of Bute: Caladh Harbour, topónimo que associa o inglês harbour e o gaélico caladh, ambos a significar "porto de abrigo para navios".
Desconhecemos qual seria a grafia e pronúncia da forma galaico-lusitana cale-, já que apenas chegou até nós como topónimo transmitido por romanos, não falantes da língua celta, que, muitas vezes, não tinham grandes preocupações de fidelidade em relação à latinização das falas recolhidas, escondendo numa última consoante, muitas vezes um -s, qualquer som que lhes fosse estranho. Mas não deveria andar longe de cale, se atentarmos no actual português "cala" e no galego cala, vozes que significam "pequeno porto ou enseada muito estreita, com margens íngremes ou entre rochedos". Muitos dicionaristas atribuem a origem destas falas ao árabe kalla, mas inclinamo-nos muito mais para uma origem pré-romana, como sugere o dicionário de Houaiss, e avançamos para uma etimologia céltica, apoiados nos exemplos fornecidos pelas línguas gaélicas. A reforçar esta opção temos o grande número de topónimos "Cale" (concelhos de Vila Real, Cinfães, Marco de Canavezes e Oliveira de Azeméis, os quatro junto de cursos de água), "Cal" (Norte de Portugal e Galiza) e "Cales" (na Galiza), todos no Noroeste da Península Ibérica, precisamente onde foi menos efectiva e demorada a presença árabe, e a existência de um Caladunum entre Douro e Minho, como podemos ler na Geografia (L. 2, cap. 6, § 39) de Claudius Ptolemaeus (c. 90-168). Este Caladunum, referido por Ptolomeu no século II d.C., deve referir-se a um castro na actual freguesia de Cervos, no concelho de Montalegre. Esta freguesia é atravessada pelo rio Beça, em cuja margem fica um monte ainda hoje denominado Crasto. O território de Cervos era atravessado por uma estrada romana, atestada por dois marcos miliários aqui descobertos, de que nos fala Pinho Leal, no seu Portugal Antigo e Moderno (vol. 2, p. 256-257). Caladunum deveria então corresponder a um castro [céltico dunum "fortaleza elevada", "colina"], servido por uma "enseada muito estreita, com margens íngremes ou entre rochedos" [céltico cale]. Também na foz do Cávado, frente aos rochedos chamados Cavalos de Fão, houve até há pouco tempo um ancoradouro natural, cujo sítio se chamava "Cala". Quanto a nós, o problema levantado pela existência de dois topónimos iguais, olhando-se nos olhos com o Douro de permeio, foi resolvido de forma expedita e arguta em 1940, por Cláudio Basto ("Os nomes Cale e Portucale: plano de estudo", in Revista de Guimarães, número especial, 1940: 83-94), mesmo sem poder contar com o auxílio do elemento cale, cujo étimo não identificou. Para este autor, o topónimo Portucale abrangeria de início as duas margens e o próprio percurso fluvial, considerando o sentido da fala portus que, primitivamente, designaria uma "passagem", o que aliás já acontecia no indo-europeu *prtu-, de base *per-, o étimo donde deriva. Como nos diz Viterbo, o português "porto", nos nossos documentos mais antigos, significava

porta, entrada, garganta do monte ou passagem, já do mar ou rio para a terra, já de uma terra para a outra, atravessando alguma eminência ou cerro, que serve como de muro ou divisão. Também chamaram Porto, não só o vau de um rio caudaloso, onde se passa em barca, mas também o de qualquer ribeiro, onde se passa, ou a pé, ou de carro, ou em besta, ou em poldras, ou em ponte sendo da razão do Porto o dar passagem ou entrada (Elucidário, vol. 2: p. 488).

A fala galega porto, para além do significado hoje mais usual, ainda significa "paso entre montañas que comunica as dúas vertentes", "lugar estreito ou pouco profundo por onde se pode atravesar um río" (EGU, vol. 14, p. 81, s.v. "porto"). O sentido de "passagem" está também presente noutras falas de outras línguas indo-europeias, derivadas deste mesmo étimo, como no espanhol puerto, quando se refere a "depresión, garganta o boquete que da paso entre montañas"; no francês port "lugar em que há uma barcaça ou barcos para se passar um rio ou ribeira"; no francês pirenaico port "passage dans les Pyrénées"; no antigo germânico *furdu-, donde deriva o alemão furt "vau" e o inglês ford "passar a vau".
Por tudo isto, o apelativo "porto", com a significação de "passagem", está por detrás de muitos topónimos portugueses que, conjuntamente com Barca, Barco, Barcos, Passadouro, Passagem, Travassô, Vau e tantos outros engrossam a numerosa família dos hodotopónimos. E, nestas andanças de documentar o sentido de portus, acabamos de bater com o nariz no Dictionnaire Universel François et Latin (Dictionnaire de Trevoux), descobrindo que há trezentos anos já se tinha chegado à tautologia atrás enunciada:

Ce mot de Portugal vient de Portus & de Cale, qui signifie tous deux port. Cale vient de cal, mot Celtique qui veut dire la même chose. De là on a fait Burdicala ou Burdigala, port célèbre de Gascogne ("A palavra Portugal vem de Portus e de Cale, ambas com o significado de porto. Cale vem de cal, palavra céltica que quer dizer a mesma coisa. Esta entrou na formação de Burdicala ou Burdigala [actual Bordéus], célebre porto da Gasconha") (1732, 3ª ed., Vol. 4, col. 1003).

A mais antiga alusão à civitas Cale da margem direita do Douro deve-se a Gaius Sallustius Crispus (Hist. III, 43), nas suas Historiarum libri quinque (39 a.C.), narrativas históricas reportadas aos acontecimentos das lutas sociais e políticas que debilitaram a República Romana no século I a.C., no caso em apreço entre 78 e 67. A referência de Salústio chegou-nos numa citação de Maurus Servius Honoratus, datada do século IV e inserida num comentário gramatical e literário sobre Virgílio os Servii Gramatici in Vergilii AEneidos Librum Septimum Commentarius , onde, depois de se referir à civitas Cales da Campânia e à Cale (actual Cagli) que demorava na via Flamínia, estrada que ligava Roma a Ariminum (actual Rimini, na costa adriática), afirma:

est et in Gallia hoc nomine, quam Sallustius captam a Perperna commemorat [e existe (outra civitas) com este nome na Gália, de que Salústio relata aconquista por Perpena].

Estes acontecimentos teriam tido lugar em 73 a.C., data da incursão de Perpena no Noroeste peninsular, em acções militares que o levaram até ao rio Lima. Considerando que o escrito de Salústio abordava as lutas sertorianas da Hispânia, e que Perpena era um dos generais de Sertório, parece óbvio o lapso na transcrição de Gallia por Gallaecia, incongruência já apontada pelo humanista e académico Isaac Vossius (1618-1689), no segundo volume da edição de Leiden da obra De situ orbis de Pompónio Mela. Se Gallia está por Gallaecia, a menção salustiana permite-nos identificar esta Cale com a povoação da margem direita do Douro, já que a margem esquerda pressupunha uma localização na Lusitânia e não na Galécia.
Mas, se esta citação corresponde à realidade descrita, também é provável que "Cale" fosse nesta época um simples locus (lugar) e não uma civitas (comunidade-território em volta de uma povoação principal), pois não é mencionado pelos geógrafos que descrevem a Hispânia dos dois primeiros séculos da nossa era, como sejam Estrabão (c. 58 a.C.-c. 25 d.C.), Pompónio Mela (escreve nos anos 40 do século I), Plínio (23-79) ou Ptolomeu (c. 90-168).
Considerando as fontes conhecidas, a referência seguinte ao topónimo Cale surge no acusativo Calem do Itinerário de Antonino (Itinerarium provinciarum Antonini Augusti), dos finais do século III d.C., identificando a penúltima estação da estrada romana de Lisboa a Braga, a 13 milhas de Lancobriga, a estação anterior, e a 35 (cerca de 52 km) de Bracara Augusta. Esta última distância tem levado muitos investigadores a identificarem este Calem com a civitas da margem direita do Douro, o que, parecendo razoável, não deixa de ser uma mera hipótese. As menções posteriores aparecem já na formação tautológica Portucale. Começamos por destacar um documento da segunda metade do século V, o Chronicon de Idácio bispo de Chaves que terá vivido entre cerca de 395 e talvez 472 , um conjunto de crónicas sobre o reino dos Suevos, com a capital em Braga, abarcando o período de 379 a 468. Idácio menciona Portucale, indeclinável, em três parágrafos distintos, uma vez sem qualquer especificação (Aiulfus dum regnum Suevorum spirat, Portucale moritur mense Junio), outra como lugar (Rechiarius ad locum qui Portucale appellatur, profugus regi Theudorico captivus adducitur) e uma última como castro (Maldras germanum suum fratrem interficit, et Portucale castrum idem hostis invadit).
Devemos uma outra citação a Isidoro (560-636), bispo de Sevilha, em cuja Historia de Regibus Gothorum, Vandalorum et Suevorum, em que narra os acontecimentos relacionados com o reino visigodo da Hispânia, até finais do primeiro quartel do século VII, podemos ler:

Ipse postremo rex telo saucius fugit, praesidioque suorum carens, ad locum Portucale capitur, regique Theuderico vivus offertur.

Ainda aqui, continuamos com Portucale reduzido a um simples povoado, não aparentando qualquer preponderância especial. Nas pretensas actas de um alegado Concílio de Lugo, que teria tido lugar em 569, temos a mais antiga menção à existência de um Portucale a norte do Douro e de um outro na margem sul, mesmo que este documento seja posterior àquela data, já que algumas das suas versões apresentam interpolações que remetem para o século XII. Mas, para o que nos interessa, importa referir que não é posta em dúvida a autenticidade do chamado Paroquial Suévico ou Divisio Theodemiri, o elemento mais importante destas supostas actas, cujo original, hoje perdido, deve ter sido redigido entre 572 e 589. O estabelecimento destas duas balizas deve-se ao facto do Paroquial colocar a sede da diocese portucalense em Portucale, sendo certo que a diocese nasce no segundo concílio de Braga (572) com a sede em Magneto (Meinedo, actual freguesia do concelho de Lousada) e que, aquando da realização do terceiro concílio de Toledo (589), a referida sede era, agora sim, em Portucale. Esta Divisio Theodemiri, um acto de administração político-religiosa porventura da iniciativa do rei suevo Teodemiro (559-569), menciona uma paróquia ad sedem Portugalensem in castro novo (junto da Sé portucalense, no castro novo), na actual cidade do Porto, e uma outra denominada Portucale castrum antiquum, na diocese de Coimbra e, por isso mesmo, na margem sul do Douro, no actual concelho de Vila Nova de Gaia.
Neste desatar de meada cronológica, segue-se um documento de 922, do Livro Preto da Sé de Coimbra (vol. 1, p. 118-120), diploma em que alguns investigadores vêem uma cópia deturpada ou com interpolações. Trata-se de uma "descrição da forma como o bispo Gomado organizou o mosteiro de Crestuma e a vila do mesmo nome", com a notícia das doações que beneficiaram o referido cenóbio. A Crestuma, que fica na margem esquerda do Douro, junto à foz do rio Uíma, teriam chegado por via fluvial (fuerunt navigio), depois de terem embarcado (excitabit naves) em Portugale (obviamente na margem oposta), o rei Ordonho II (rei da Galiza de 911 a 914, e da Galiza e Leão de 914 a 924), a rainha (Aragunte Gonçalves), os condes Lucídio Vimaranes e Rodrigo Lucides e restante comitiva régia, para visitarem o mosteiro e o bispo Gomado. No mesmo documento, um pouco mais à frente, fala-se de uma propriedade do mosteiro e dos respectivos termos:

villa de portugal quomodo dividit per suos terminos antiquos quomodo dividit cum illa villa de mahamudi et inde per montem a termino de colimbrianos usque in gal.

Se no primeiro caso temos o Portugale da margem direita do Douro, no segundo descobrimos o Portugal da margem sul, a confrontar com Mafamude (actual freguesia da sede do concelho de Vila Nova de Gaia) e Coimbrões (freguesia de Mafamude), povoações entretanto absorvidas pela cidade de Vila Nova de Gaia. E temos ainda um(a) Gal (usque in gal), afinado pela terminação de Portugal, talvez a encobrir um topónimo mal percebido ou mal lido, que poderia ser Gaia. Este Portugal da margem sul deveria corresponder à actual freguesia de Santa Marinha (Vila Nova de Gaia), encostada ao Douro e virada para o morro da Sé do Porto. Para aqui nos empurra o documento 268 do Livro Preto da Sé de Coimbra (vol. 2, p. 139-140), diploma sem data que menciona as herdades usurpadas pela violência à Sé de Coimbra, entre as quais encontramos Sancta Marina de Purtugal.
Perante a existência de dois povoados denominados Portucale, um na margem direita (castro novo) e outro na margem esquerda (castrum antiquum) resta descobrir em qual deles nasceu Portugal e qual deles nasceu primeiro.
Numa leitura imediatista, a questão da precedência parece resolvida com os qualificativos com que o Paroquial Suévico ornou cada um dos dois topónimos. Nesta perspectiva, o mais antigo, o primeiro a nascer, seria o Portucale da margem sul, porque era esse o castrum antiquum, mas não podemos esquecer os condicionalismos que rodeiam aquele documento, nada garantindo que os adjectivos antiquum e novo não sejam interpolações de séculos posteriores, como também não podemos ignorar o facto de tanto Idácio de Chaves como Isidoro de Sevilha não fazerem qualquer referência ao Portugal da margem esquerda, nem sentirem necessidade de especificar de qual estavam a falar. Os achados arqueológicos dos últimos anos permitem-nos afirmar a ocupação humana do morro da Sé desde o século VIII a.C. e da Ribeira ao longo da vigência do domínio romano, mas outras descobertas poderão ocorrer durante os trabalhos anunciados em torno da "Recuperação e Reconversão Urbanística de Santa Marinha", em Vila Nova de Gaia. De qualquer forma, e independentemente dos referidos adjectivos serem ou não dos finais do século VI, continuaria por provar qual dos dois povoados teria nascido primeiro. Com efeito, o castro novo poderia corresponder a uma recuperação sueva de um castro mais antigo, que tivesse sido destruído durante a conquista romana, ou, se corresponder a uma interpolação dos séculos VIII-IX, poderia indicar uma restauração neogoda, depois da destruição de Portucale por Afonso I das Astúrias (739-757), em meados do século VIII, ou após a presúria do mesmo Portucale pelo conde Vímara Peres, em 868, no reinado de Afonso III (866-911), considerando que o Portucale da margem direita foi, a partir daquela data, se já não o era antes, um centro de povoamento e de organização político-administrativa e, pelo menos nominalmente, a sede do condado do qual viria a nascer Portugal.
Pesem as dúvidas e reticências, podemos afirmar que o corónimo "Portugal", na sua mais remota origem, terá começado por vestir a pele de um vulgar apelativo, numa língua indo-europeia, celta ou pré-celta, para nomear um ancoradouro que se inscrevia na passagem do rio Douro, evoluindo para nome próprio de lugar, para topónimo, à medida que as gentes do lugar e as gentes que ao lugar chegavam construíam a história deles e a nossa. E foi essa história que juntou o portus romano ao cale celta, para que todos, os que estavam e os que vieram, soubessem do que se falava. A paz romana terá acrescentado importância ao povoado, estrategicamente situado para movimentar pessoas e coisas, entre a Lusitânia e a Galécia. A crise do século III, a instabilidade do século IV, as invasões germânicas do início do século seguinte e a queda do Império Romano do Ocidente fizeram a história que se seguiu, por certo mais nos castros que nas margens baixas do rio. Nos alvores do século V os Suevos instalam-se no noroeste da Península, entre Douro e Minho, aqui fundando um reino de fronteiras instáveis, com a capital em Braga, que durou até 585, ano em que as armas visigóticas lhe marcaram o fim, absorvendo-o no seu reino de Toledo. A crermos nalguns indícios, transmitidos pelos documentos do período suevo, Portucale terá sido por vezes residência dos reis, que por regra estanciavam em Dume, nos arredores de Braga, e, na segunda metade do século VI, a sede de uma diocese, embora, como vimos acima, a respectiva sé estivesse algum tempo instalada em Meinedo, certamente uma consequência do cisma que opunha a ortodoxia católica ao arianismo.
A importância de Portucale cresce durante o domínio visigótico, realidade bem patente no desenvolvimento da diocese e na instalação de um centro emissor de moeda, com cunhagens conhecidas nos reinados de Leovigildo (568-586), Recáredo I (586-601), Liuva II 601-603) e Sisebuto (612-621). Perante tal quadro, podemos admitir que Portucale seria também, já no período suevo-visigótico, um centro de administração civil, certamente sob a tutela de um conde (comite-).
Nos séculos VIII-IX multiplicam-se as dificuldades, primeiro com o curto domínio muçulmano, depois com as investidas de mouros e normandos, que terão obrigado ao recuo da sede da civitas, pelo menos nos períodos mais críticos. Depois de 868, com a conquista definitiva de Portucale pelas forças neogodas de Leão, lideradas pelo prócere Vímara Peres, o território portucalense vai aumentando para Norte e para Sul, ganhando identidade e coesão, facilitadas pelo governo hereditário de uma família condal (868-1044), cujas raízes vão do referido Vímara Peres aos descendentes de Diogo Fernandes.
Portucale já não é apenas um topónimo da margem do rio Douro, é cada vez mais um corónimo de uma província ou território, governada por um dux magnus ou por um comes. A evolução desta nova realidade política acentuar-se-á a partir dos finais do século XI, durante os governos do conde Henrique, da sua viúva Teresa e de seu filho Afonso Henriques. No quadro político da Península Ibérica, será este último o grande responsável pela criação do novo Estado, que responderá pelo nome de PORTUGAL.

2 comentários:

candalense disse...

já agora: do lado do cale está a freguesia de Candal (com o castro de candal). Donde provirá candal?

Manuel Carvalho disse...

Caro Candelense
Neste blogue, na coluna da esquerda, na secção MARCADORES, procure CANDAL e clique na respectiva hiperligação. Encontrará a resposta para a questão que coloca.
Obrigado pela sua visita.