Abrimos
Na
Está
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Estas
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De
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Quanto ao
(1) LÓPEZ QUIROGA, Jorge; MARTÍNEZ TEJERA, Artemio M. – El
(2) Almeida Fernandes considera
Cada topónimo, cada nome de lugar, terá a sua origem, a sua razão de ser, mesmo que seja uma razão que pareça ou apareça sem razão. Gentes e lugares, porque sem gente não há lugares, mesmo que os haja. Os lugares precisam de um nome e de quem os nomeie, precisam de gente. Mas as gentes também precisam de um lugar, para ser e para estar...
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Quanto ao
(1) LÓPEZ QUIROGA, Jorge; MARTÍNEZ TEJERA, Artemio M. – El
(2) Almeida Fernandes considera

Pede-me um leitor deste blogue para estudar a possível origem do topónimo Paradaia, que identifica um monte na freguesia de Romãs, concelho de Sátão. O topónimo em questão é ignorado pelos nossos documentos oficiais que, para o mesmo acidente geográfico, registam os nomes de Monte do Barrocal ou Monte de Nossa Senhora do Barrocal. Acrescenta o nosso consulente que, neste lugar, estão referenciados «uma necrópole, um castro e uma igreja moçárabe».
Uma rápida pesquisa permitiu-me acrescentar algo mais a estas informações, como seja o facto de ali se realizar, no dia 2 de Fevereiro de cada ano, a romaria de Nossa Senhora do Barrocal, em honra de Nossa Senhora das Candeias, orago da capela ali existente, a que o povo chama Capela das Candeias ou da Fevereirinha.
Esta romaria corresponderá, quase pela certa, considerando as particularidades do lugar e os respectivos achados, à cristianização do festival celta do primeiro dia de Fevereiro, conhecido por Imbolc "Purificação" ou Dia da Senhora, que honrava a deusa Brigitt, «filha do deus Dagda, a deusa tripla dos cabelos de ouro. Era a mãe, a filha e a esposa dos deuses das origens e dos primeiros druidas. Personificava a poesia, a saúde, a força, a adivinhação, a inteligência e protegia o lar». O processo da cristianização, perante a dificuldade em erradicar as múltiplas manifestações da religião e dos costumes pagãos, transformou esta deusa Brígida
A ocupação romana trouxe consigo um pouco de todo o império, incluindo, como não podia deixar de ser, a sua religião, abrindo caminho a novos sincretismos.
Neste mesmo mês de Fevereiro, entre os dias 13 e
Considerando as características do Monte da Paradaia e a existência ali de uma necrópole, pensamos ter encontrado a resposta para a origem deste topónimo no festival religioso a que acabámos de aludir. A legitimação desta hipótese, que até o nome da freguesia parece confirmar, deixamo-la a cargo de quem melhor a pode fazer: a Arqueologia.
Parentalia, era o nome deste festival, e daqui podia derivar o nome Paradaia, mediante fenómenos fonéticos presentes na formação da língua portuguesa:
Parentalia >
> *parantalia (assimilação da segunda sílaba por influência das envolventes);
> *paratalia (assimilação progressiva da segunda sílaba por desnasalação);
> *paradalia (por sonorização do intervocálico -t- > -d-);
O documento a que se refere esta notícia, datado do ano 960 da era de César, a que corresponde o ano 922 da era de Cristo, pertence ao Livro Preto da Sé de Coimbra (1), donde foi copiado por Alexandre Herculano para publicação nos seus Diplomata et Chartae (2).
Como foi provado por Pierre David (3) e Miguel de Oliveira (4), trata-se de um falso datado do século XII, porventura nunca anterior a 1115 ou 1116 (5), manifestamente forjado na diocese conimbricense, com o desígnio de contrariar a pretensão da Sé portucalense de estender o seu território para a margem esquerda do rio Douro. Estavam em causa várias doações de propriedades na margem esquerda do Douro, feitas pelo rei Ordonho II (rei da Galiza de
Mas vamos ao que importa.
Segundo o Diário de Aveiro, João Gaspar pretende ter encontrado um documento que faz recuar 37 anos a data da mais antiga referência escrita para Aveiro, aqui sob a grafia Aliovirio. Mais acrescenta que o dito topónimo corresponde a um porto marítimo, coisa que não aparece em qualquer parte deste diploma.
No documento em análise, diz-se textualmente:
[…] et dedit ipse rex et ipsi comites nabulum et portaticum de dorio in die sabbati de portu de aliovirio et per totos illos portus usque in illa foce de durio […] (6).
A povoação, que ficava junto do rio Douro, entre Peso da Régua e Mesão Frio, «subtus montis Maraon discurent ribulo Sarmenia [ribeira de Sermanha] et flumine Doyro» (5), teria alguma importância, considerando a magna reunião dirigida pelo rei, que ali teve lugar em 911, e o facto de ali terem sido cunhadas duas moedas do rei visigodo Suintila (621-632).
O antigo porto de Aliovirio devia corresponder, grosso modo, à actual povoação de Caldas de Moledo, onde a antiga via militar romana de Bracara aos Transcudani, etc., por Lamego, atravessava o rio Douro (7).