quarta-feira, 28 de maio de 2008

JOSÉ ESTÊVÃO Coelho de Magalhães (bibliografia activa e passiva)



AMORIM, Francisco Gomes deGarrett: Memórias biográficas. Lisboa: Imprensa Nacional, 1881. 3 vol.

AMzalak, Moses Bensabat Do estudo e da evolução das doutrinas económicas em Portugal. Lisboa: Of. Graf. Museu Comercial, 1928. 277 p.

ARANHA, Brito – Factos e homens do meu tempo: memórias de um jornalista. Lisboa: Parceria A. M. Pereira, 1907-1908. 3 vol. Ver vol. 1.

Arquivo Pitoresco: Semanário Ilustrado. Dir. e redactor principal António da Silva Túlio. Lisboa: Castro, Irmão & C.ª. Tomo V (1862), p. 337-340. – [José Estêvão]. Com gravura de Nogueira da Silva. Integra extractos de uma lição de Economia Política na Escola Politécnica, segundo apontamentos de José Horta, aluno de José Estêvão naquele estabelecimento de ensino.

ARRIAGA, José de – História da Revolução de Setembro. Lisboa: Tip. da Companhia Nacional Editora, [1892]. 3 vol. (726+547+689 p.)

AUTO DE INAUGURAÇÃO do retrato de José Estêvão Coelho de Magalhães, que os estudantes da Cidade de Aveiro mandaram colocar na Sala da Biblioteca do liceu nacional da mesma cidade. 21 de Outubro de 1866. Colecção da Escola Secundária José Estêvão de Aveiro.

AUTO DE INAUGURAÇÃO do monumento erigido à memória de José Estêvão Coelho de Magalhães. 12 de Agosto de 1889. Colecção da Escola Secundária José Estêvão de Aveiro. Trata-se do auto de inauguração da estátua que existe em Aveiro, na Praça da República.

AVEIRENSE (O). Aveiro. Ano III, nº 111 (26 Dez. 1909). Director: Ernesto de Freitas; redactor: António Simões Cruz.

[AZEVEDO, João de] – Quadro politico, histórico e biográfico do Parlamento de 1842. Lisboa: Tip. de Manuel de J. Coelho, 1845. 136 p. Saiu anónimo, assinado “por um Eremita da Serra d'Arga”; ver p. 110.

BRAGA, Teófilo – História das ideias republicanas em Portugal. Pref. Manuel Roque de Azevedo. Lisboa: Vega, [D.L. 1984]. 174 p. (Documenta histórica; 7). Primeira edição de 1880, Nova Livraria Internacional.

BRAGA, Teófilo – História do romantismo em Portugal. 1ª ed . Lisboa: Ulmeiro, 1984. 519, [6] p. (Ulmeiro. Universidade; 6). Fac-simile da edição de 1880. Há uma edição de 1987, do Círculo de Leitores, em 2 vol., nº. 3 e 4 da colecção “A geração de 70”.

CACHIM, Amadeu – A Costa Nova de outros tempos. In Boletim da ADERAV. Aveiro: ADERAV. Nº 8 (Dez.1982-Fev. 1983), p. 5-9.

CANDAL, Manuel da Costa – Passagem pela ilha do Faial de José Estêvão. In Litoral. Dir. David Cristo. Aveiro. Nº 237 (9 Maio 1959), p. 1. Com fotografia do busto de José Estêvão do escultor italiano Calmetti.

CÂNDIDO, António – Discursos e conferências. Porto: Companhia Portuguesa Editora, 1917. 302 p. Nas p. 261-287 encontra-se o capítulo “Discurso em honra de José Estêvão, proferido na cidade de Aveiro na noite de 11 de Agosto de 1889”.

CARVALHO, João Carlos de Almeida – Duas palavras ao autor do "Esboço histórico de José Estêvão", ou refutação da parte respectiva aos acontecimentos de Setúbal em 1846‑1847, e a, outros que com aqueles tiveram relação. Lisboa: Tip. Universal, 1863. 44 p.

CARVALHO, Manuel José Gonçalves de – José Estêvão Coelho de Magalhães: 1809-1862. In Encontro de Professores de História da Zona Centro, 10, Aveiro, 1992 – Aveirenses Ilustres: Retratos à minuta. Aveiro, 1992. p. 27-33

CASA (A) de José Estêvão em Eixo: Paredes modestas que abrigaram dois grandes cidadãos. In Arquivo Nacional. Dir. de Rocha Martins. Lisboa: Empresa Nacional de Publicidade. Vol. 4, nº 166 (13 Mar. 1935), p. 171.

CASTELO BRANCO, Camilo – Maria da Fonte: a propósito dos Apontamentos para a história da revolução do Minho em 1846, publicados pelo...Padre Casimiro. 2ª ed . Porto: Lello & Irmão, 1901. 299 p. 1ª edição em 1885, Porto, Livraria Civilização; transcreve, na íntegra, o discurso de José Estêvão aquando da sua tomada de posse do malhete da Confederação Maçónica Portuguesa.

Castilho, António Feliciano de; Oliveira, J. A. de Freitas de – A Questão Literária a propósito do Jazigo de José Estêvão. Lisboa: Tipografia da Gazeta de Portugal, 1866. 16 p. Cartas dos senhores A. F. Castilho e J. A. de Freitas de Oliveira.

CASTRO, Armando de – O pensamento económico no Portugal moderno: De fins do século XVIII a começos do século XX. Lisboa: Instituto da Cultura Portuguesa, 1980. 173 p. (Biblioteca Breve; 48). p. 95.

CASTRO, Augusto de – Cinco figuras: Camilo, Garrett, Junqueiro, José Estêvão, Gregório Marañon. Ilustr. de Abel Manta e Benito Pietro. Lisboa: Emp. Nac. de Publicidade, [D.L. 1963]. 119, [2] p.

CENTRO REPUBLICANO DEMOCRÁTICO DE LISBOA. Comissão de Propaganda –
José Estêvão: duas palavras. Lisboa: Imprensa Democrática, 1878. 16 p.

CERQUEIRA, Eduardo – A emoção e suposições que causou a morte de José Estêvão. In O Litoral. Dir. David Cristo. Aveiro. Nº 113 (1 Dez. 1956), p. 1, 6.

[CERQUEIRA, Eduardo] – Fundação José Estêvão (em organização). In O Primeiro de Janeiro. Porto. (21 Agos. 1958). A fundação não chegaria a legalizar-se, devido à oposição do Estado Novo e à perseguição da P.I.D.E., que chegou a confiscar materiais alusivos a José Estêvão, destinados pelos organizadores à futura Casa-Museu.

CERQUEIRA, Eduardo – José Estêvão apreciado pelo filho: dois discursos de Luís de Magalhães. Nota preambular de Eduardo Cerqueira. In Arquivo do Distrito de Aveiro. Aveiro. Vol. 28, n.º 112 (1962), p. 258-275. Fez-se separata.

CERQUEIRA, Eduardo – José Estêvão e os Ferreira Pinto Basto. In O Litoral. Dir. David Cristo. Aveiro. Ano VIII, nº 391 (21 Abril 1962), p. 1, 4.

CERQUEIRA, Eduardo – Como Lisboa comemorou o centenário do nascimento de José Estêvão. In O Litoral. Dir. David Cristo. Aveiro. Nº 393 (5 Maio 1962), p. 1, 3.

CERQUEIRA, Eduardo – José Estêvão visto por contemporâneos. In O Litoral. Dir. David Cristo. Aveiro. Nº 415 (6 Out. 1962), p. 1, 5.

CERQUEIRA, Eduardo – José Estêvão e Rodrigues Sampaio. In O Litoral. Dir. David Cristo. Aveiro. Nº 416 (13 Out. 1962), p. 1, 5.

CERQUEIRA, Eduardo – José Estêvão e Alberto Souto. In O Litoral. Dir. David Cristo. Aveiro. Nº 419 (3 Nov. 1962), p. 1, 3.

CERQUEIRA, Eduardo – A reivindicta de um antigo amigo: José Estêvão e Costa Cabral. In O Litoral. Dir. David Cristo. Aveiro. Nº 423 (1 Dez. 1962) p. 1, 5; nº 425 (15 Dez. 1962), p. 1, 9; nº 429 (12 Jan. 1963), p. 1, 3.

CERQUEIRA, Eduardo – Camilo e José Estêvão. In Arquivo do Distrito de Aveiro. Aveiro. Vol. 29, nº 114 (1963), p. 81-93. Fez-se separata.

CERQUEIRA, Eduardo – José Estêvão e o seu fecundo aveirismo. In Aveiro e o seu Distrito. Aveiro. N.° 2 (1966), p. 38-47. Fez-se separata.

CERQUEIRA, Eduardo – Um irmão de José Estêvão esquecido: Apontamentos biográficos de António Augusto Coelho de Magalhães. In Arquivo do Distrito de Aveiro. Aveiro. Vol. 38, Nº 150 (1972), p. 81-110. Fez-se separata.

CERQUEIRA, Eduardo – A abolição da pena de morte por crimes políticos, e o seu paladino aveirense. In Aveiro e o seu Distrito. Aveiro. N.° 29 (1981), p. 46-56. (Vd. p. 52). Fez-se separata.

CERQUEIRA, Eduardo – Evocação de uma romagem estevaniana por terras açorianas. In Boletim da ADERAV. Aveiro: ADERAV. Nº 10 (Dez. 1983), p. 11-14.

CHAGAS, Manuel Pinheiro (dir.) – Dicionário popular: histórico, geográfico, mitológico, biográfico, artístico, bibliográfico e literário. Lisboa: Lallemant Frères 1876-1886. 16 vol. Ver vol. VII, p. 381-384.

Club Escolar José Estevão (ed.)José Estêvão: comemorativo da inauguração do monumento em Aveiro. Aveiro: Tip. da Companhia Nacional Editora, 1889. Número único; com desenho da estátua de José Estêvão em Aveiro, gravado por D. Neto; colaboraram: Magalhães Lima, Luís de Ornelas Pinto Coelho, Alberto Bessa, Guilherme de Sousa, António de Campos Júnior, Xavier da Cunha, Heliodoro Salgado, Teixeira de Brito, J. A. Reis e Vila, Joaquim dos Anjos, Rodrigues de Freitas, Carlos Calixto, J. C. Rodrigues da Costa, Alfredo Cabral, José Elias Garcia, S. Rodrigues Soares, Joaquim Martins de Carvalho, M. Domingos Pereira, Feio Terenas, Andrade Neves, Bulhão Pato, Alfredo Serrano, Augusto Peixoto, Eduardo Coelho, Eugénio Silveira, Reinaldo Vilhena, Gomes da Silva, Júlio de Freitas e F. A. De Matos.

COELHO, José Ramos – José Estêvão. In Revista Contemporânea. Tomo IV, p. 417. A propósito da morte do tribuno.

COIMBRA-AVEIRO. Coimbra. Número único (9 Ago. 1914). Proprietário: Jerónimo Ferreira da Silva; editor: Joaquim Lóio.

COMISSÃO PROMOTORA DAS COMEMORAÇÕES DO ANIVERSÁRIO DA REVOLUÇÃO LIBERAL DE 16 DE MAIO DE 1828 (ed.) – 16 de Maio de 1828. Desenhos de Lima de Freitas. Aveiro: Comissão Promotora do Aniversário da Revolução Liberal, 1956. 24 p.

[COSTA, Aurélio] – A comemoração do centenário de José Estêvão. In O Século. Lisboa. (10 Abr. 1962).

COSTA, Jorge Manuel Couceiro da – Pessoas e factos de outros tempos. In Arquivo do Distrito de Aveiro. Aveiro. Vol. 12, Nº 46 (1946), p. 156-158.

[COUTINHO, João de Azevedo Sá] – Ver AZEVEDO, João de

CRISTO, Homem – Notas da minha vida e do meu tempo. Lisboa: Guimarães, 1939. 7 vol. Várias referências a José Estêvão; no vol. IV, p. 5-38, desenvolve a questão das irmãs de caridade.

DEMOCRATA (O). Órgão semanal do Partido Republicano do Distrito de Aveiro. Aveiro, Rua Direita, nº 108. Ano II, nº 97 (26 Dez. 1909). Director: Arnaldo Ribeiro.

DIÁRIO ILUSTRADO. Regenerador-Liberal. Lisboa. Ano XXXIX, nº 13043 (28 Dez. 1909). Director: Álvaro Pinheiro Chagas.

DISTRITO DE AVEIRO (O). Número especial deste "jornal político e noticioso" fundado por José Estêvão. Aveiro: Imp. Comercial, Rua José Estêvão. Ano XVIII, N.º 1805 (12 Ago. 1889), 4 p., formato 55x38 cm, impresso com tinta azul; com o retrato (19x20 cm) de José Estêvão Coelho de Magalhães, o "grande orador parlamentar". Publicado este número em "homenagem à saudosa memória do eminente tribuno e notável patriota José Estêvão Coelho de Magalhães", por ocasião de se erigir o seu monumento em Aveiro. Colaboraram: Lourenço de Almeida e Medeiros, F. J. Patrício, S. M., Ponce Leão Barbosa, Acácio Rosa, J. G.

DÓRIA, António Álvaro – ESTÊVÃO Coelho de Magalhães, José (1809-1862). In SERRÃO, Joel, dir. – Dicionário de História de Portugal. Porto: Iniciativas Editoriais, 1979. Vol. II, p. 463-464.

Doze de Agosto. Águeda: Tipografia Comercial. Número único (12 Ago. 1889), 8 p. Formato 33x24,5cm; impresso com tinta azul. Publicação dedicada à memória de José Estêvão Coelho de Magalhães, pela redacção do jornal Constituinte e pela academia aveirense, com o retrato do ilustre orador (12x10 cm); colaboraram: Manuel de Arriaga (primeiro artigo), Serafim Loureiro, Manuel Ribeiro de Figueiredo, Vidal Oudinot, Emídio Garcia, Alexandre da Conceição, Virgínia da Conceição, Horácio de Araújo Nogueira e Melo, Rodrigues d'Avim, Augusto Martins, Francisco Regala Júnior, J. Ferreira da S. e Castro, José Vidal Cunha e Costa, Bernardo Simões de Carvalho, Manuel dos Santos e Silva, Bento Guimarães Júnior.

EFEMÉRIDES Aveirenses. In Arquivo do Distrito de Aveiro. Aveiro. Vol. 2, nº 6 (1936), p. 161-163; vol. 2, nº 8 (1936), p. 323-325; vol. 3, nº 12 (1937), p. 315-316.

ESTÊVÃO, José – Discurso pronunciado na discussão da resposta ao discurso do Trono na sessão de 6 de Fevereiro de 1840. Lisboa: Imprensa Nacional, 1840.

ESTÊVÃO, José – Discurso proferido na sessão de 13 de Fevereiro de 1840, em resposta ao do Sr. Garrett, e sobre a Questão Inglesa. Lisboa: Imprensa. Nacional, 1840. 55 p.

ESTÊVÃO, José – Discurso do senhor José Estevam Coelho de Magalhães pronunciado na sessão de 12 [sic] de Fevereiro de 1840. Porto: Typ. de Faria & Silva 1840. 111 p.

ESTÊVÃO, José – Discurso pronunciado em defesa do jornal "O Portugal Velho" no julgamento da querela que contra ele deu o Ministério Público. In Sessão do julgamento do Portugal Velho. Lisboa: Phenix, 1843. 32 p.

ESTÊVÃO, José – Elogio histórico de José Ferreira Pinto Basto. In Memorias do Conservatório Real de Lisboa. Lisboa, 1843, tomo II, p. 17-24. Ver GOMES, Marques – A Vista Alegre.

ESTÊVÃO, José – Quatro Palavras em Resposta ás Duas do Sr. José Vitorino Barreto Feio à "Revolução de Setembro". Lisboa: Typ. da rua do Almada n.º 5, 1849. 44 p.

ESTÊVÃO, José – Discursos Parlamentares de José Estevão Coelho de Magalhães. Coleccionados por Joaquim Simões Franco. Aveiro: António Augusto de Souza Maia, 1878. 474 [3] p.

ESTÊVÃO, José – Nova Colecção de Discursos Parlamentares de José Estêvão Coelho de Magalhães. Org. de Joaquim Simões Franco. In O Varino. Redactor Renato Franco. Aveiro: Minerva Económica. Nº 3 (21 Mar. 1897). Esta colecção, que começou a publicar-se no nº 3 do jornal aveirense O Varino, pretende ser um complemento aos “Discursos Parlamentares” publicados em 1878.

ESTÊVÃO, José – Discursos Parlamentares: Com um Apêndice contendo vários artigos jornalísticos, a defesa do Portugal Velho, etc. Livraria Chardron, 1909. 378 [3] p. Edição do Centenário.

ESTÊVÃO, José – José Estêvão: Estudo e Colectânea. Aveiro: Edição da Comissão do Centenário, 1962. 199 [4] p. Colectânea de artigos e extractos de intervenções parlamentares, antecedida de um “Estudo” da autoria de seu filho Luís de Magalhães (p. 14-57).

Estêvão, José – Obra Política. Pref. rec. e notas de José Tengarrinha. Lisboa: Portugália Editora, 1962-1963. 2 vol. [CXV, 353; XII, 441 p.]. (Colecção Portugália; 3 e 4). Bibliografia p. 431-441.

ESTÊVÃO, José – Discursos Parlamentares. Aveiro: Câmara Municipal de Aveiro, 1983. LI, 378 [3] p. Precedido, nas páginas VII a LI, de um “Estudo” da autoria de seu filho Luís de Magalhães. Reimpressão fac-similada da 1ª ed. de 1909.

ESTÊVÃO, José – O absurdo do ateísmo. In Boletim Municipal de Aveiro. Aveiro: Câmara Municipal. Nº 22 (Dez. 1993), p. 24.

FAFES, Aprígio [pseud. de Eduardo Tavares] – Galeria parlamentar ou para-lamentar de 1858 contendo uma apreciação imparcial... Lisboa: Tipografia de Joaquim Germano de S. Neves, 1858. 16 p.

FIGUEIREDO, Fidelino de – História da literatura portuguesa: manual escolar. Lisboa: Livraria Clássica Editora, 1918. 231 p. Ver p. 202, capítulo “Eloquência”

FIGUEIREDO, Fidelino de – História da literatura romântica: 1825-1870. 2ª ed. ver. Lisboa: Clássica Editora, 1923. 324 p. (Biblioteca de estudos históricos nacionais ; 4). Ver p. 290-295.

FIGUEIREDO, Fidelino de – Historia de la literatura portuguesa. Traducción del marqués de Lozoya. Barcelona-Buenos Aires: Editorial Labor, [1927]. 391 p. Ver p. 295, capítulo “Elocuencia”.

FOLHA DE TORRES VEDRAS. Torres Vedras. Ano X, nº 511 (26 Dez. 1909). Director: Júlio Vieira; periodicidade: semanário, saía aos domingos.

FRANCO JÚNIOR, Francisco Soares – O pregador católico. Porto: Viuva Moré, 1865. Inclui a “Oração fúnebre nas exéquias de José Estêvão Coelho de Magalhães”, p. 371-387.

FREITAS, [Joaquim de] Melo – Centenário de José Estêvão: Conferência proferida em 30 de Abril de 1909. Aveiro, 1909.

FREITAS, [Joaquim de] Melo – A Família de José Estêvão: Conferência realizada no “Clube Mário Duarte” (Aveiro) no dia 15 [14] de Agosto de 1909. Aveiro, 1909. 14 p.

FREITAS, Joaquim de Melo – José Estêvão. In Escola Popular: Semanário Literário, Instrutivo e Noticioso. Águeda. N.º 51 (16 de Maio de 1871), p. 402-405. Este semanário publicou-se de 1870 a 1871. Existe uma edição fac-similada de 1999, editada pelo semanário aguedense "Soberania do Povo".

FREITAS, Joaquim de Melo – Violetas. Porto: Imprensa Portuguesa, 1878. 402 [9] p. Ver capítulo “Palavras e acções de José Estêvão”, p. 137-180.

FRONTEIRA e de ALORNA, Marquês de – Memórias do Marquês de Fronteira e d'Alorna, D. José Trazimundo Mascarenhas Barreto ditadas por ele próprio em 1861. Rev. e coord. por Ernesto de Campos de Andrada. Fac-simile da 1ª edição, editada em Coimbra pela Imprensa da Universidade. Lisboa: Imprensa Nacional-Casa da Moeda, 1986. 5 vol., sendo o último de “Apêndice”. A presente obra está dividida em 8 partes, relatando-nos os acontecimentos políticos, militares, religiosos e sociais, que decorrem entre 1802 e 1853, incluindo a altura das invasões francesas, o protectorado inglês, o vintismo, o regresso da Família Real do Brasil e a guerra civil; ver partes 5ª e 6ª (vol. 3); 7ª e 8ª (vol. 4).

GAIO, [António da] Silva – Mário. Introd. De Fernando Pereira Marques. Lisboa: Publicações Alfa, 1990. 2 vol. (214+216 p.). (Testemunhos Contemporâneos; 31, 32). José Estêvão é uma das personagens deste romance histórico. Reprodução fiel da edição de 1868, a primeira e única revista pelo autor.

GARCIA, José Elias – Discurso proferido (na grande loja da confederação maçónica portuguesa) em 20 de Dezembro de 1862 e para comemorar o falecimento do respeitável grão‑mestre e irmão José Estêvão Coelho de Magalhães. Lisboa: 1862.

GOMES, Marques – Memórias de Aveiro. Aveiro: Tipografia Comercial, 1875. 211 [4] p.

GOMES, Marques – O distrito de Aveiro: noticia geográfica, estatística, corográfica, heráldica, arqueológica, histórica e biográfica da cidade de Aveiro e de todas as vilas e freguesias do seu distrito. Coimbra: Imprensa da Universidade, 1877. 308, [1] p.

GOMES, Marques – Manuel José Mendes Leite: esboço biográfico. Porto: Tip. Comércio e Industria, 1881. 31 p.

GOMES, Marques – José Estêvão: Apontamentos para a sua biografia. Porto: Tip. Ocidental, 1889. 184 p.

GOMES, Marques – Lutas caseiras: Portugal de 1834-1851. Lisboa: Imprensa Nacional, 1894. CLXXVI, 630 p. Só foi publicado o 1º volume; o autor transcreve, com uma crítica muito negativa, o trabalho de ARRIAGA, José de – A verdade histórica e a História da Revolução de Setembro, p. 483-620.

GOMES, Marques – Cinquenta anos de vida pública: O Conselheiro Manuel Firmino d'A. Maia. Aveiro: Tip. do Campeão das Províncias, 1899. [6], 669 p.

GOMES, Marques – Subsídios para a história de Aveiro. Aveiro: Tip. do Campeão das Províncias, 1899. 631, [1] p.

GOMES, Marques – Aveiro: berço da liberdade: o Coronel Jerónimo de Morais Sarmento. Porto: Imprensa Portuguesa, 1899. 312 p. Vária referências a José Estêvão, especialmente p. 144-145.

GOMES, Marques – 1º Centenário do Nascimento de José Estêvão: contribuição prestada. Coimbra: Imprensa da Universidade, 1909. 32 p.

GOMES, Marques – Aveirenses que morreram, sofreram e combateram pela liberdade: Monumento levantado à sua memória pelo Clube dos Galitos. Aveiro: Tip. do Campeão das Províncias, 1909. 37 p. No primeiro centenário do nascimento de José Estêvão

GOMES, Marques – A estátua de José Estêvão. In Campeão das Províncias. Aveiro. Ano LXXII (11 Ago. 1923; 18 Ago. 1923; 25 Ago. 1923; 1 Set. 1923; 8 Set. 1923).

GOMES, Marques – A Vista Alegre: memória histórica. Aveiro: Tipografia Minerva Central, 1924. 100, [1] p. Para além de outras alusões a José Estêvão, transcreve, entre as p. 50-58, o discurso do tribuno, em homenagem a José Ferreira Pinto Bastos, proferido no Conservatório Real de Lisboa em 21 de Dezembro de 1841.

GOMES, Marques – Aveiro, Berço da Liberdade: A Revolução de 16 de Maio de 1828. Aveiro: Tip. Luso. 1928. 88 p.

GRAINHA, Manuel Borges – História da franco-maçonaria em Portugal: 1733-1912: Contendo importantes informações sobre o carbonarismo, a ordem de S. Miguel da Ala, a formação do Partido Republicano Português, o restabelecimento das congregaçöes e a sua recente expulsão. Prefácio e notas de António Carlos Carvalho. Lisboa: Editorial Vega, 1976. 206 p. (Veja; 3). 1ª ed. de 1912, Lisboa, A Editora Limitada.

Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira. Lisboa-Rio de Janeiro: Editorial Enciclopédia. Vol. X, p. 452.

GUIMARÃES, Ricardo [Augusto Pereira] – Narrativas e episódios da vida política e parlamentar: 1862 e 1863. Lisboa: Tipografia Universal, 1863. VIII, 284 p

GUIMARÃES, Ricardo [Augusto Pereira] – José Estêvão. In Revista Contemporânea de Portugal e Brasil. Lisboa: Sociedade Tip. Franco‑Portuguesa. Vol. V (1863), p. 128.

Hino a José Estêvão. In Arquivo do Distrito de Aveiro. Aveiro. Vol. 28, n.º 112 (1962), p. 318-319.

Homenagem do Arquivo do Distrito de Aveiro a José Estêvão Coelho de Magalhães no 1º centenário do seu falecimento 4 de Novembro de 1862. Aveiro: [Arquivo do Distrito de Aveiro], 1962. 83 p.

HOMENAGEM a José Estêvão em Lisboa. In Boletim Municipal de Aveiro. Aveiro: Câmara Municipal. Nº 5 (Mar. 1985), p. 21-32.

INDEPENDÊNCIA DE ÁGUEDA. Homenagem a José Estêvão, glória do nosso distrito. Águeda. Nº 1587 (23 Jun. 1962). Colaboração de Aquilino Ribeiro, Ferreira de Castro, Flausino Torres, Mário de Azevedo Gomes, Sant’Ana Dionísio, etc.

JANEIRO, Padre Francisco de Sousa – Oração fúnebre nas solenes exéquias do Sr. José Estêvão Coelho de Magalhães mandadas celebrar na Igreja da Misericórdia d’Aveiro pelos artistas da mesma cidade no dia 22 de Abril de 1863. Aveiro: Tip. do Distrito de Aveiro, 1863. 18 p.

JORNAL DE AVEIRO. A José Estêvão Coelho de Magalhães – o Jornal de Aveiro. Semanário Republicano. Responsável: Ernesto António de Freitas. Aveiro: Of. imp. Rua do Sol, n.º 10. Ano I, N.º 25 (12 Ago. 1889), 4 p., 50x36 cm. Número especial deste "semanário republicano", comemorando a inauguração da estátua de Aveiro. Com o retrato do grande orador no texto da primeira página, gravado por Alberto (13,5x11 cm); na segunda página três estampas, gravadas por Pastor, representando: a. Casa onde nasceu José Estêvão; b. Vista exterior da capela do cemitério, onde jazem os restos mortais do grande tribuno; c. O interior da capela. Na terceira página, o retrato de Jerónimo Morais Sarmento (7,5x6 cm) gravado por Pastor e, na quarta página, gravado pelo mesmo, o retrato de Manuel José Mendes Leite (8x6 cm). Colaboraram: Albano Coutinho, [Sebastião] de Magalhães Lima, Jaime de Magalhães Lima, Y., A. Portocarrero, Cunha Coelho, Jaime, A. B., Adriano Costa, M. Dias Ferreira, Jaime Duarte Silva.

[José Estêvão]. In Arquivo Pitoresco: Semanário Ilustrado. Dir. e redactor principal António da Silva Túlio. Lisboa: Castro, Irmão & C.ª. Tomo V (1862), p. 337-340. Com gravura de Nogueira da Silva. Integra extractos de uma lição de Economia Política na Escola Politécnica, segundo apontamentos de José Horta, aluno de José Estêvão naquele estabelecimento de ensino.

Legendas da Cidade Invicta: O Caminho de ferro do Porto. O que foi o Contrato Peto – Discussões Parlamentares – José Estêvão contra o Ministro das Obras Públicas – A dissolução do contrato – Onde aparece D. José Salamanca – A Linha do Norte – Estação de Campanha. In Arquivo Nacional. Dir. de Rocha Martins. Lisboa: Empresa Nacional de Publicidade. Vol. 4, nº 175 (15 de Maio de 1935), p. 324-325.

Legendas da Cidade Invicta: Portuenses Ilustres: Almeida Garrett e o Discurso de Porto Pireu: Improviso ou cêna estudada? – O aparte de José Estêvão - A resposta brilhantíssima do grande escritor – Seu orgulho – A Câmara ante a sua oratória – A Consagração do orador. In Arquivo Nacional. Dir. de Rocha Martins. Lisboa: Empresa Nacional de Publicidade. Vol. 2, nº 110 (16 de Fevereiro de 1934), p. 916-917.

LEITÃO, Joaquim – Cabeça a Prémio (contos). 2ª ed. Porto: Companhia Portuguesa Editora, 1921. 278 [1] p. 1ª ed. em 1917; o conto que dá o nome ao livro refere-se a episódios da vida de José Estêvão.

LEMOS, Maximiano (dir.) – Enciclopédia Portuguesa Ilustrada: Dicionário Universal. Porto: Lemos & Cª, [1900-1909]. 11 vol. Ver vol. VI, p. 748.

LIMA, Jaime de Magalhães – José Estêvão. Coimbra: França Amado Editor, 1909. 166 p.

LIMA, Jaime de Magalhães – José Estêvão: Conferência lida na Biblioteca do Liceu de Aveiro, na sessão pública de homenagem a memória de José Estêvão em a noite de 17 de Dezembro de 1927. Aveiro: Edição da revista Labor, 1928. 45 p.

LIMA, Marcelino – Famílias faialenses: Subsídios para a historia da ilha do Faial. Horta: Tip. Minerva Insulana, 1922. 733, [2] p.

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PEREIRA, Esteves; RODRIGUES, Guilherme (dir.) – Portugal: Dicionário Histórico, Corográfico, Heráldico, Biográfico, Bibliográfico, Numismático e Artístico abrangendo a minuciosa descrição histórica e corográfica de todas as cidades, vilas e outras povoações do continente do Reino, Ilhas e Ultramar, monumentos e edifícios mais notáveis, tanto antigos como modernos; biografias dos portugueses ilustres antigos e contemporâneos, célebres por qualquer título, notáveis pelas suas acções, pelos seus escritos, pelas suas invenções ou descobertas; bibliografia antiga e moderna; indicação de todos os factos notáveis da história portuguesa, etc., etc. Obra ilustrada com centenares de fotogravuras e redigida segundo os trabalhos dos mais notáveis escritores por Esteves Pereira e Guilherme Rodrigues. Lisboa: João Romano Torres, Editor, 1904-1915. 7 vol. (Dicionário Histórico Portugal). Ver vol. IV, p. 736-741.

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SOARES, Joaquim Pedro Celestino – Origem e estado da questão entre José Estêvão Coelho de Magalhães e Joaquim Pedro Celestino Soares. Lisboa: Typ. de Manuel Jesus Coelho, 1849. 4 p. Foi distribuído com o jornal O Patriota.

SOARES, Joaquim Pedro Celestino – Quadros navais ou colecção dos folhetins marítimos do Patriota: seguidos de uma epopeia naval portuguesa. 2ª impressão. Lisboa: Imprensa Nacional, 1861-1869. 4 vol. O tomo IV contém: 27 - Origem e estado da questão entre José Estêvão Coelho de Magalhães e Joaquim Pedro Celestino Soares. 1.º e 2.º.

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SOUSA, Eduardo de – José Estêvão (Edição do Centenário). 2ª ed. aum. Porto: Livraria Moreira Editora, 1909. Inclui o discurso pronunciado no Teatro Aveirense, na noite de 13 de Agosto de 1894. 35 p.

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TAVARES, José – Literatos do Distrito: Alexandre da Conceição. In Arquivo do Distrito de Aveiro. Aveiro. Vol. 20, nº 80 (1954), p. 245-250.

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TENGARRINHA, José – A oratória e o jornalismo no Romantismo. In Centro de Estudos do Século XIX do Grémio Literário. Colóquio, 1, Lisboa, 1970 – Estética do Romantismo em Portugal: primeiro colóquio, 1970. Lisboa: Grémio Literário, [1974]. p. 186-190.

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VIEIRA, Augusto José – Historia do Partido Republicano Português: Obra de propaganda republicana. Lisboa: Empresa de Publicações “A Democrata”, [1909]. Ver p. 127.

VIEIRA, Benedicta Maria Duque – A Revolução de Setembro e a discussão Constitucional de 1837. Lisboa: Edições Salamandra, 1987. 141, [1] p.

VILHENA, Júlio de – D. Pedro V e o seu reinado. Coimbra: Imprensa da Universidade, 1921. 2 vol. (IX, 399; XI, 463 p.).

VITALIDADE. Semanário Regenerador-Liberal. Aveiro. Ano XIV, nº 767 (25 Dez. 1909). Director e proprietário: Acácio Rosa.

BIBLIOTECA NACIONAL – Arquivo da Cultura Portuguesa Contemporânea – Colecções ESTÊVÃO, José, 1809-1862 BN, cota Esp. N49.

A colecção (5 Caixas com 733 documentos) é composta por um conjunto de documentos relativos à guerra da Patuleia, cartas dirigidas a José Estêvão e a familiares, assim como recortes e outros documentos sobre homenagens prestadas ao tribuno. Entrou na BN em Janeiro de 1983, integrando o Espólio de seu filho, Luís de Magalhães, adquirido por compra aos seus herdeiros.

terça-feira, 27 de maio de 2008

JAIME DE MAGALHÃES LIMA 1859-1936 (biografia)

Jaime de Magalhães Lima foi daquelas personagens de multímoda mundividência que, pela extrema e variada riqueza interior, escapa a qualquer tentativa de arrumação em cacifo ideológico padronizado. Tocado por uma miríade de influências, cujas raízes mergulham no cristianismo de S. Francisco de Assis e nas doutrinas de Leão Tolstoi, passando pelo movimento Arts and Crafts de William Morris e John Ruskin1 e pela comunhão de ideais com alguns dos grandes vultos das nossas gerações oitocentistas, de que cumpre destacar Antero de Quental e Oliveira Martins, não deixou por isso de construir o seu próprio caminho, calcetando-o com um apurado sentido crí­tico e, sobretudo, com muita lucidez e tolerância, milímodas cumplicidades e um inco­mensurável respeito pelo Outro.

Filho de Sebastião de Carvalho Lima e de D. Leocádia Rodrigues de Magalhães, nasceu em Aveiro a 15 de Outubro de 1859, no palacete que seu pai mandara construir sobre as ruínas do Convento do Carmo, adquiridas em 1856 a Manuel José Mendes Leite, o fiel e eterno companheiro de José Estêvão e autor da iniciativa legislativa que terminou com a pena de morte para os crimes políticos (1852), gesto pioneiro a nível europeu. Nesse mesmo ano, o seu irmão Sebastião de Magalhães Lima, cujo percurso intelectual e político seria bem diferente, saía de Aveiro para frequentar o colégio alemão Roeder.

As questões políticas estariam quase sempre presentes no ambiente familiar da sua infância, pois o pai, para além de deputado, foi presidente da Câmara de Aveiro e da Junta Geral do Distrito, representando, na cidade dos canais, as cores do Partido Histórico, facção política surgida no início da Regeneração sob a liderança do duque de Loulé.

Tendo feito os preparatórios para os estudos superiores no Colégio Aveirense, iniciou o seu curso de Direito, na Universidade de Coimbra, no ano em que sua mãe falecia na residência da Rua do Carmo. Tinha dezasseis anos.

Frequentando a Universidade entre 1875 e 1880, será aqui influenciado pelo pensamento de Karl Krause, filósofo do Direito e discípulo de Schelling e de Fi­chte. O krau­sismo, cujos prosélitos conimbricenses foram sobretudo Costa Lobo, Rodrigues de Brito e Emídio Garcia, estará por detrás da concepção organicista da realidade social, comungada por Jaime Lima e presente no seu modelo de representação política. As ideias de Krause encontraram campo propício entre os críticos do individualismo liberal, muitos deles também liberais, mas que viam com mágoa e inquietação a facilidade com que se destruíam os equilíbrios da sociedade tradicional e os seus esteios axiológicos, como acontecia com Costa Lobo que, já em 1864, na sua tese de doutoramento, avançava para soluções corporativistas, apresentando a sociedade "como verdadeiro organismo […com] seus membros reciprocamente dependentes". Ao longo da segunda metade de Oitocentos o krausismo influenciará ainda muitos dos alunos da Faculdade de Direito de Coimbra, mercê dos magistérios de Rodrigues de Brito e Emídio Garcia.

A profunda amizade que une Jaime de Magalhães Lima a Luís de Magalhães, filho de José Estêvão, seu condiscípulo em Coimbra e futuro cunhado, relaciona-o com importantes nomes da Geração de 70 e com outras personalidades do meio cultural nortenho. Luís de Magalhães residia na quinta do Mosteiro, em Moreira da Maia, numa época em que Oliveira Martins se fixara no Porto, às Águas Férreas. Não muito longe, em Vila do Conde, demorava Antero de Quental e, um pouco mais além, na Quinta de Boamense, em Cabeçudos, nas proximidades de Famalicão, vivia Alberto Sampaio. Nas tertúlias do Porto, em Santo Ovídio, na casa de Oliveira Martins, na Quinta do Mosteiro2, na tebaida de Vila do Conde ou em Boamense, juntavam-se com frequência Luís de Magalhães, Jaime Lima, Antero de Quental, Oliveira Martins, Guerra Junqueiro, Ramalho Ortigão, Alberto Sampaio, António Feijó e tantos outros, residentes no Norte do país ou simplesmente por ali passando de visita.

Jaime Lima ficará indelevelmente ligado a muitos destes homens, com destaque para Antero, cujo idealismo e afinidades intelectuais propiciaram uma maior aproximação, por demais evidente na correspondência trocada e no tratamento familiar que adoptaram entre si, deixando "as excelências para aqueles com quem não temos outra comunhão senão a de pertencermos à mesma sociedade em geral — muito geral 3".

Em Coimbra, o convívio e as leituras trazem-lhe as primeiras hesitações religiosas, que igualmente tocarão o seu amigo Luís de Magalhães. Isso mesmo parece transparecer do poema publicado aos 64 anos, assomo de prestação de contas e prenunciação de uma partida que o destino marcou para cerca de treze anos depois:

[…]
Os anos de inocência e os da paixão;
os de orgulho sombrio e os da humildade;
os da fé;
e também esses, funestos, tenebrosos,
da Descrença e da Dúvida;
[…] 4

O teor de uma carta de Antero de Quental, datada de finais de 1886, dá-nos conta da superação desta crise, correspondendo, talvez, às primeiras aproximações de Magalhães Lima a S. Francisco de Assis e a Tolstoi:

Tudo isto, meu caro Magalhães Lima, veio, não sei bem como, para lhe dizer uma cousa muito simples, e é o que mais me alegrou na sua carta foi o dizer-me que começava a sentir, nestes últimos tempos, um renascimento dos antigos sentimentos religiosos, embora transformados, e uma invencível necessidade de idealismo.5

Um ano antes, em 1885, tinha sido publicada a tradução francesa da Religião de Leão Tolstoi que, como o próprio Jaime Lima confessa ao autor, apenas leu depois da visita que lhe fez, mas a influência tolstoiana já se fazia sentir através da leitura de outras das suas obras:

Li a sua "Religião" e voltarei a ler brevemente todas as suas obras traduzidas em francês. Ela (a "Religião") causou-me uma impressão tão profunda que resolvi dedicar-lhe um estudo que deverá ser publicado no próximo verão. […] Não estamos de acordo em muitos pontos, mas devo confessar-lhe que, há já bastante tempo, muitas vezes com a ajuda dos seus livros, me sinto voltar à religião e à humildade. É possível que as vicissitudes da minha vida tenham contribuído muito para isso; sempre estou convencido de que a vida não tem outra finalidade senão a virtude, e cada dia sinto mais sincero e profundo arrependimento das minhas faltas e dou a maior parte dos meus pensamentos ao amor de Deus.6

Por esta época, quando dobrava o quarto de século e a Europa estrebuchava de nacionalismos e imperialismos, com a Conferência Internacional de Berlim (1884) a traçar os primeiros contornos do domínio europeu em África, Jaime Lima inicia uma prolixa produção literária, através da qual procura intervir na sociedade portuguesa, ou simplesmente exercer um magistério democrático de divulgação das ideias que, colhidas aqui e ali, lhe parecem merecedoras de partilha. Esta ânsia de comunicar exprime-se em cerca de novecentos títulos, distribuídos por dezenas de jornais e revistas, trinta livros, quatro traduções-adaptações e vinte opúsculos de outras tantas conferências. Uma parte importante da sua colaboração em publicações periódicas terá o destino da produção literária de John Ruskin: a compilação posterior em pequenos volumes, porque,

para serem companheiros do coração, os livros hão-de ocultar-se, como tudo o que é amado do coração; irão connosco, unidos ao corpo, sem que olhares profanos os insultem com escárnio ou indiferença. […] Por isso, eu quero aos livros bons e pequeninos, como às violetas do meu jardim.7

A Província, órgão do Partido Progressista fundado no Porto por Oliveira Martins, será o primeiro jornal a acolher colaboração continuada de Jaime Lima, que se estende por alguns anos. São artigos literários, sobre autores nacionais e estrangeiros, peças versando temas agrícolas, mas também aparecem os assuntos de cariz económico e social ou de política nacional e internacional, muitos deles a propósito de obras publicadas em diferentes países da Europa.

Em 1888, quase a completar os 29 anos, durante os meses de Setembro e Outubro, faz uma grande viagem pela Europa, regressando pelo norte de África e sul de Espanha. Nesta longa peregrinação, cujo diário vai publicando no periódico de Oliveira Martins, visita Leão Tolstoi, na sua residência de Iasnaia Poliana, fortalecendo os vínculos que, desde há algum tempo, o prendiam ao pensamento do grande escritor russo. No regresso escreve a Tolstoi e carteia-se com Antero, comentando com o amigo as impressões recolhidas nas entrevistas que manteve com o autor de Guerra e Paz.

O cristianismo democrático e filantrópico de Tolstoi ajustava-se às preocupações sociais das elites intelectuais da época, o que explica o impacto do "santo laico" em toda a Europa e particularmente em França, país que visitou e onde tocou fundo a sua adesão às doutrinas de Proudhon. Jaime Lima contactou a obra de Tolstoi a partir do livro Le roman russe de Eugène-Melchior de Vogüé e das traduções francesas que se multiplicavam no último quartel de Oitocentos.

Esta longa deambulação pela Europa e a visita a Tolstoi parecem culminar uma fase importante da sua vida, à procura de um caminho e de decisões para o futuro. Regressado a Portugal anuncia a Antero de Quental o seu próximo casamento, que terá lugar em Condeixa. Jaime de Magalhães Lima casou em 23 de Julho de 1889 com D. Maria do Cardal de Lemos Pereira de Lacerda, filha de Francisco de Lemos Ramalho de Azeredo Coutinho, morgado da Casa de Condeixa, e irmã de D. Maria da Conceição de Lemos Pereira de Lacerda, casada desde Fevereiro de 1884 com Luís Coelho de Magalhães. Um pouco antes, em carta datada de 28 de Maio, Antero manifestava-lhe o seu regozijo:

Já me tardava vê-lo casado — e posso dizer-lhe agora que mais de uma vez tinha pensado nisso, e sentido até a tentação de lhe dar esse conselho; mas achava a matéria tão delicada, tão absolutamente do foro íntimo, que nunca me atrevi. Veja pois com que prazer recebi a notícia, que me dá! O dia do seu casamento será para mim um de verdadeira alegria. Não lhe citarei o famoso "não é bom que o homem esteja só" da Bíblia, ainda que há uma grande verdade nesse conceito; mas, tomando a coisa por outro lado, dir-lhe-ei que só é verdadeiramente livre aquele que sabe limitar voluntariamente a sua liberdade […] Entrou, meu caro amigo, num caminho em que todos os dias irá sentir o chão mais firme debaixo dos pés, mais lúcido o pensamento, mais serena a consciência. Vivendo cada vez mais para os outros, sentindo morrer em cada dia dentro de si mais uma parcela do eu egoísta que tanto nos ilude, tanto nos faz sofrer e errar, irá entrando gradualmente naquela região da impersonalidade que é a verdadeira beatitude.8

Os acontecimentos de 1890, e a forma como Portugal respondeu ao Ultimato inglês, desencadearam, um pouco por todo o país, um coro de lamentos e assuadas, quando não ferozes manifestações de nacionalismo ofendido. Republicanos e socialistas zurziram a instituição monárquica, enquanto a agressividade da imprensa, que nem a nova "lei da rolha" conseguia calar, e a denúncia da dependência económica e política de Portugal face à Inglaterra despertavam sentimentos anti-ingleses e faziam cair governo atrás de governo.

Jaime de Magalhães Lima acabará por entrar na política activa, já depois da recusa ao grito desesperado de Antero, que o pretendia no Porto como secretário-geral da Liga Patriótica do Norte a que presidia:

O Jaime é o homem, é o único. Há-de vir. O que se vai passar em Portugal é seriíssimo. Faça cada um o seu sacrifício no altar da Pátria. Eu sacrifico a minha saúde, que naufragará de todo no meio disto, e muito provavelmente o meu nome, que antes de 6 meses estará manchado. […] O Jaime fará também à Pátria e ao Bem o seu sacrifício. Venha.9

O malogro da iniciativa, que tentava uma ampla frente, suprapartidária, capaz de salvar a Pátria da decadência e da crise permanente em que vivia, aplicando um vasto programa que recuava ao diagnóstico da "Geração Nova" e das Conferências democráticas do Casino Lisbonense, terá contribuído para o desânimo de Antero e para o agravamento da misantropia que o conduziria ao suicídio, em 11 de Setembro de 1891. Jaime Lima, apesar de ter recusado o cargo de secretário-geral da Liga, lugar que foi preenchido pelo Conde de Resende, aderiu ao projecto e disso deu público testemunho na primeira página d’ A Província de 3 de Março de 1890.

Recém-casado, o escritor aveirense remete-se à vida familiar e ao estudo da obra de Tolstoi, reduzindo drasticamente, ao longo de alguns anos, a sua colaboração na imprensa. No entanto, é durante este período que o futuro "eremita" da quinta de S. Francisco se lança na política activa, começando por integrar, com Luís de Magalhães e Alberto Sampaio, o grupo dos chamados "governamentais", apoiantes do projecto "Vida Nova" corporalizado no pensamento e na pessoa de Oliveira Martins. O desiderato apontava para a salvação de Portugal e para a aplicação de um conjunto de medidas capazes de ultrapassar a bancarrota do Estado e a crise financeira, e estancar as falências que se sucediam em catadupa. Oliveira Martins conseguirá inverter esta tendência, durante os quatro meses em que sobraçou a pasta da Fazenda, mas o êxito não evitará a sua saída do governo e a consequente solidariedade dos amigos, que deixam de apoiar o Ministério de José Dias Ferreira.

A traição a Oliveira Martins custou a Dias Ferreira a chefia do governo, vingança cozinhada por alguns dos "governamentais" e consumada no regresso de um governo partidário regenerador, com Hintze Ribeiro na presidência e João Franco na pasta do Reino. Mas o Partido Regenerador não fugia à profunda desordem que campeava nos velhos partidos monárquicos, ele próprio com várias facções a digladiarem-se e com uma direcção bicéfala, em que pontificavam Hintze Ribeiro e João Franco, nem aos vícios arranjistas alimentados pelas benesses distribuídas em função dos acordos de caciques e chefes políticos.

Em 1892 Jaime Lima é eleito presidente da Câmara de Aveiro e, no ano se­guinte, deputado pelo Partido Regenerador, continuando, coerentemente, a defender as ideias de Oliveira Martins. Em 1894 perde mais este amigo e, dois anos depois, morre-lhe o pai. Novamente deputado por Aveiro, eleito em 1897, colabora na imprensa local e noutras publicações ligadas ao Partido Regenerador, apoiando, com Luís de Maga­lhães e Alberto Sampaio, as reformas franquistas da lei eleitoral, identificadas com os princípios do krausismo e da "representação orgânica" de Oliveira Martins, que ele próprio defendia desde há doze anos. Mas todas estas reformas foram caindo depois de 1896 e, no ano imediato, poucos meses depois da conquista do poder pelos pro­gressistas de José Luciano de Castro10, completava-se o desmantelamento de toda a estrutura eleitoral franquista.

Em 1901 acompanha João Franco na cisão do Partido Regenerador, passando a dirigir a estrutura aveirense do novo Partido Regenerador-Liberal. Contudo, por esta época, a organização local dos partidos continuava a ser quase inexistente, circunscrita a uma ou outra figura de projecção regional, o que lhe permitiu ler e escrever intensa­mente, apostando na divulgação de Ruskin, Channing, Wordsworth, Michelet ou S. Francisco de Assis, e multiplicando os artigos sobre o que foi uma das suas grandes paixões, a silvicultura teórica e experimental dos eucaliptos.

Com a queda do Franquismo, em 1908, afasta-se definitivamente da política e instala-se na Quinta do Vale do Suão, em Eixo, nos arredores de Aveiro, rebaptizada de Quinta de S. Francisco. Nesta opção pelo contacto permanente com a natureza, le­vada ao extremo de não permitir cortinados nas janelas do seu gabinete de trabalho, para poder ver as árvores e as aves, seguia duas das suas referências intelectuais mais queridas: Alexandre Herculano, afastado de Lisboa e recolhido em Vale de Lobos, e John Ruskin retirado na pequena quinta de Brantwood, perto de Coniston Lake.

Afastado da ribalta tumultuosa da vida política e usufruindo avidamente a mãe Natureza, iniciava aqui o último período da sua vida, sempre atento ao mundo exterior, ao qual descia vezes sem conta por exigência dos que queriam ouvir a sua voz res­peitada. Com efeito, ao longo deste período, sucedem-se as conferências e palestras sobre os mais variados assuntos e nos mais diversos locais. O refúgio de Eixo produz de imediato o seu primeiro S. Francisco de Assis11, leitura heterodoxa do catolicismo oficial que mereceria alguns reparos de D. João Evangelista de Lima Vidal, seu primo e bispo de Aveiro. O livro é acusado de inter­pretar a vida do Poverello à luz do protestantismo do hagiógrafo Paul Sabatier12 o que levará Jaime Lima a escrever um outro, publicado já depois da sua morte, em 1956.

Seguem-se duas traduções de Tolstoi e um estudo sobre Alexandre Hercula­no, acompanhados por uma pertinaz colaboração na imprensa, por onde perpassam os problemas de Portugal, da Europa e do Mundo. Devorador de livros e jornais, aprendeu o inglês como autodidacta, o que lhe permitiu o contacto com o mundo anglo-saxónico, recorrendo a um vasto leque de periódicos britânicos, fossem eles londrinos ou da imprensa regional13, mas também a um variado número de títulos publicados em Inglaterra, que encomendava e recebia no eremitério de Eixo.

Acompanhando com especial atenção a vida política da Alemanha, e atento ao crescendo do nacionalismo prussiano, quase adivinhou o eclodir da 1.ª Guerra Mundial. Crítico aceso do imperialismo alemão, acabará por rejeitar liminarmente o cesarismo bismarckiano e a política de alianças com a social-democracia marxista, responsabili­zados pela instabilidade política do velho continente:

Levou tempo a fazer e deu muito trabalho essa nova Alemanha. Para isso foi necessário arrasar, como alegremente se arrasou, até aos alicerces, aquela outra Alemanha gloriosa, dos tempos em que militarmente era vencida, a Ale­manha de Kant, de Lessing, de Goethe e de Beethoven, do tempo em que, toda impregnada de idealismo, de sabedoria, arte, ingenuidade, simplicidade e anseios de liberdade, tinha menos ciência de laboratório e mais ciência do co­ração, e não sabia mentir, intrigar, corromper e oprimir14.

Nos seus escritos sobre a guerra sobressai a admiração pela Grã-Bretanha e pelo seu papel civilizador, apresentados em contraponto da barbárie germânica e como paradigma das sociedades democráticas:

Se vemos um estupendo império, como o da Grã-Bretanha, englobando sob a mesma bandeira, irmãmente querida e amada, as raças mais diversas e as mais diversas aspirações, é porque para esse milagre político, sem precedente na história, se criou um povo em cujo génio, por uma arte que é maravilha de espontânea perfeição, se conciliam praticamente as maiores e desusadas li­berdades com a coincidência em uma unidade, para a qual provavelmente só se encontrará justificação na comunidade de amor à própria liberdade e no propósito íntimo de a manter e defender.15

Denunciada a guerra e equacionados os problemas da Europa, Jaime Lima en­trega-se de novo às grandes questões nacionais, procurando intervir na sociedade portuguesa com vista à sua transformação, à redescoberta dos seus valores e tradi­ções… da sua alma. Perdidos os velhos amigos da Geração de 70, encontrará novas cumplicidades, sem no entanto chegar à íntima comunhão experimentada com Antero ou Oliveira Martins. Portugal estava mudado, o que era por demais visível no cresci­mento de Lisboa e de outros centros urbanos, na transformação da paisagem, com a proliferação das chaminés de fumo a romperem aqui e ali, bem como no aumento de uma classe média de funcionários e profissões liberais. Os tempos eram outros e os homens também. Os intelectuais portugueses do primeiro terço do século XX procuravam, em desespero de causa pela pequenez do meio, o arrimo das capelinhas, mais interessados em dar visibilidade a cada um dos "grupinhos literários", como lhes chamava Jaime Cortesão, que em produzir obra de fundo. As revistas literárias, que se multiplicavam em Lisboa e no Porto, duravam o tempo da sua agressividade e das polémicas que sustentavam o mercado.

As ideias que germinavam em França, nas vésperas do primeiro conflito mundial, ameaçavam invadir Portugal, cujas elites intelectuais eram, desde há muito, francófilas. E fizeram-no, com António Sardinha e outros corifeus do Integralismo Lusitano. Aquilino Ribeiro, desde Paris, bem podia clamar, nas páginas d’ A Capital, contra o perigo da importação do bergsonismo e do ideário da Action Française, e para a necessidade de descobrirmos um caminho português para a democracia portuguesa. O tradicionalismo acabará por constituir um elo de ligação entre pensamentos e movimentos diferenciados que, a partir de determinada altura, apostam no rejuvenescimento da alma nacional e na afirmação da individualidade portuguesa. Aqui se encontrarão os últimos românticos, os integralistas, os saudosistas, lusitanistas e criacionistas da Renascença Portuguesa, os modernistas da revista Orpheu, os seareiros, os sebastianistas e tantas outras seitas da cultura lusa dos inícios do século, "ismos" que, alimentados por dissidências e trânsfugas, cresciam de costas voltadas para o pensamento político dominante e para a Universidade.

Jaime de Magalhães Lima, espírito sempre aberto e tolerante, não recusou a entrada nesta procela babilónica, preso que estava à vocação e missão proféticas de defesa dos valores, tradições, língua e arte portuguesas, cujos objectivos se prendiam, mais além, com a felicidade e a harmonia para a Pátria portuguesa:

Pudessem os deuses ouvir as minhas obstinadas e roucas orações e pelos seus eleitos mandassem aos homens, senão a felicidade e a paz que não são muito de esperar entre os clamores da psicologia e da história, ao menos uma transitória remissão das inquietações, uma pausa no sofrimento pela qual debalde vamos suspirando entre o copioso saber, forças inauditas e vastíssimas riquezas que a nossa era ostenta e a nossa jactância apregoa!… Tivesse eu a felicidade de pressentir, de longe que fosse, as bênçãos de um novo reino!… Isso em consciência me absolveria da impertinência dos zumbidos com que procuro atormentar os ouvidos estranhos.16

Concorre com os seus escritos, nalguns casos esporadicamente, para revistas de diferentes tendências, sejam elas a Atlântida, A Águia, Lusitânia, A Ilustração Moderna, Portucale, Ilustração ou a Seara Nova. Em 1918 é um dos co-fundadores da LAN – Liga de Acção Nacional, colaborando no respectivo órgão, a revista Pela Grei, cujo subtítulo, Revista para o Ressurgimento Nacional pela Formação e Intervenção de uma Opinião Pública Consciente, exprimia claramente os objectivos da associação17. Em 1923 integra o grupo de 40 fundadores da Revista dos Homens Livres, dinamizado pelos seareiros António Sérgio, Raul Proença e Jaime Cortesão, movidos pelo propósito de trazerem à sua causa intelectuais que não se revissem no projecto da Seara Nova. António Sardinha, que havia atacado a experiência de 1918, alcunhando-a de "anglo-saxonismo de importação", numa alusão às ideias de Reis Santos, adere agora a este grupo, com Pequito Rebelo, seu correligionário do Integralismo que o havia seguido na evolução anti-monárquica. A heterogeneidade do grupo estender-se-á igualmente a anarquistas, ex-franquistas, monárquicos conservadores e sebastianistas, mostrando quão forte era o mal-estar da intelectualidade portuguesa perante as realidades sociais e políticas do país. Jaime Lima desde há muito defendia esta unidade de acção, escrevendo, em 1905:

Que um punhado de crentes devotados guarde a tradição do povo e sua glória,— seu amor do trabalho, sua honradez, bondade resignada e paciência, desprendimento, austeridade,— e Portugal ressurgirá do aviltamento, como renascem a Irlanda, a Hungria, a Polónia e tantos outros povos oprimidos, ou pelos próprios erros e loucuras ou pela ambição cruel dos poderosos. Nunca uma só batalha se perdeu, quando foi combatida por justiça e nobreza.18

Quase panteísta, atrever-nos-íamos a dizer "panteísta-cristão", no êxtase que experimenta na adoração da natureza, percorre montes e vales, preferindo sentir a aspereza dos caminhos a percorrê-los sobre quatro rodas, ele que possui o primeiro automóvel de Aveiro:

Já não há caminhos, há transportes, qualquer coisa que se move na estrada mas parece desconhecê-la. Pelo menos, não deixa que os sentidos a conheçam. Viajar, nesta sujeição, não é calcar a terra, é repudiá-la19.

Estes gritos de amor à terra, plasma em que mergulha todo o seu pensamento e vida interior, são brados de cabouqueiro ecológico, de quem acredita

na terra, no seu poder de transposição paradisíaca, na felicidade e bem-aventurança que ela concede a quem a ama e serve, fielmente, em louvor e culto e humildade.20

A religião é, em Jaime de Magalhães Lima, o culminar de todo o seu viver, a síntese que encerra, superiormente, o Criador e a Criatura, englobando, nesta, toda a humanidade, todos os seres vivos, todas as areias, fragas, campos e serras. De fora parece quedar-se a cidade moderna, antro de vaidades e riquezas, artefacto industrial gerador de misérias morais e sociais, lugar onde "todos nos desconhecemos, evitamos e isolamos, quando não nos atropelamos"21. Sem se afastar de Deus, antes procurando-o, a religião limiana aproxima-se assim do pampsiquismo anteriano, tão bem descrito pelo poeta filósofo ao seu assumido discípulo22, e não se alimenta de

certos bolores das sacristias, superstições carunchosas e hipocrisias parasitárias, […nem de] batinas em debandada que, já esfarrapadas por diversas aventuras anteriores, cobriam mal a boçalidade de sacerdotes muito mais dedicados à sordidez e à impostura do que a Cristo.23

Esta religião, cantada em tantos livros de Jaime Lima, mas sobretudo nas Rogações de Eremita24 ou nos Salmos do Prisioneiro25, bem mais belos que os de David, é uma religião de amor,

que por amor dá o exemplo e do exemplo vai à compaixão, e ao perdão e à redenção dos ignorantes e transviados.26
A religião é só isto; ténue e invisível fio prendendo-nos à vida espiritual imperecível. Que importa encontrá-la no amor da árvore, da flor, do velho, da criança, do mísero, do mar ou da montanha? Viver é senti-lo.27

Tudo o resto gira em torno deste sentir religioso, e todo o seu pensamento, incida ele sobre a democracia, o liberalismo ou a ideia de nação, inscreve-se nesta matriz idealista, de abnegação e de renúncia no Outro. Como dizia numa carta a António Sérgio,

Entre o Santo e o filósofo, e, por maioria de razão, entre o Santo e o regedor, ainda que o regedor se chame Péricles ou Napoleão, ficarei com o Santo. Porque o Santo é o mais fiel intérprete de Deus, e a ordem do Mundo, como a ordem da alma, só em Deus encontrará filiação assaz consistente para a manter.28

Em 17 de Junho de 1934, pouco antes de completar 75 anos de vida, juntaram-se em Eixo centenas de pessoas, numa sentida homenagem a Jaime de Magalhães Lima. Entre os oradores destacavam-se Joaquim de Carvalho, insigne mestre da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, e João da Silva Correia, director da Faculdade de Letras de Lisboa.

Viria a falecer ano e meio depois desta manifestação cívica, no dia 25 de Fevereiro de 1936, na sua Quinta do Vale do Suão, por ele crismada de S. Francisco de Assis.

1 O Movimento das Artes e Ofícios (Arts and Crafts Movement), fundado em 1888 na Inglaterra, defendia a produção manual, valorizando a prática artesanal da Idade Média e rejeitando a produção em série da época industrial. William Morris (1834-1896) e John Ruskin (1819-1900) foram dois dos seus principais mentores. Ruskin, "um violento tory da velha escola", como ele próprio se definia na primeira página de Praeterita, a sua autobiografia, ou o "inovador retrógrado" na boca dos seus adversários, nem por isso deixou de inspirar os fundadores do Partido Trabalhista inglês (1906), com a mensagem política de duas das suas obras, Unto this Last e Sesame and Lilies, ou de contribuir para a formação do líder nacional indiano Mohandas Karamchand Gandhi. As características do reformismo social inglês, em que se integravam homens como Morris ou Ruskin, vestia capa evangélica e pretendia reconciliar-se com a lição social do cristianismo primitivo, aproximando-se, por isso, do franciscanismo. Ver COMPAGNON, Antoine – A hue et à dia [Prefácio]. In RUSKIN, John – Sésame et les Lys. Bruxelles: Editions Complexe, 1987, p. 7-24.

2 Eça de Queirós, que casara no Porto com uma irmã do 6º conde de Resende, é visita da Quinta do Mosteiro, aquando das suas passagens por Portugal. Esta propriedade, onde ainda hoje residem duas trinetas de José Estêvão, serviu-lhe de cenário para a sua quinta de Refaldes da Correspondência de Fradique.

3 Carta de Antero de Quental a Jaime Lima, datada de 13 de Outubro de 1886; ver RAMOS, Aníbal (1976a) – Cartas de Antero de Quental a Jaime de Magalhães Lima segundo o texto original. Arquivo do Distrito de Aveiro. Aveiro. vol. 42, nº 165 (1976), p. 7.

4 LIMA, Jaime de Magalhães – Côro dos coveiros. Porto: Edições Ilustradas Marques Abreu, 1923. p. 19.

5 Ver supra, nº 3, p. 11-12.

6 Esta carta, datada de 15 de Março de 1889, encontra-se no Museu de Tolstoi, em Moscovo, e foi publicada em RAMOS, Aníbal – Leão Tolstoi, Jaime de Magalhães Lima, William B. Edgerton e o "Arquivo do Distrito de Aveiro". Arquivo do Distrito de Aveiro. Aveiro. Vol. 42, n.º 167 (1976), p. 173-174.

7 LIMA, Jaime de Magalhães – Vozes do meu lar. Coimbra: França Amado, 1902, p. 73.

8 Ver supra nº 3, p. 20-21.

9 Carta de Antero datada de Vila do Conde, 9 de Fevereiro de 1890. Ver supra nº 3, p. 23.

10 Este estadista, que marcou toda a vida política portuguesa nos vinte anos que antecederam a República, nasceu em Oliveirinha, concelho de Aveiro. Aos 17 anos, com Manuel Firmino de Almeida Maia, fundou O Campeão do Vouga, o primeiro jornal aveirense, que começou a publicar-se em 14 de Fevereiro de 1852 e que, em 12 de Novembro de 1859, passou a intitular-se Campeão das Províncias. Foi seu primeiro redactor principal José Maria de Almeida Teixeira de Queirós, pai de Eça de Queirós.

11 LIMA, Jaime de Magalhães – S. Francisco de Assis: Servo e menor. Coimbra: França Amado, 1908.

12 Paul Sabatier (1858-1928), teólogo e pastor protestante francês, é o autor de uma Vida de S. Francisco de Assis, escrita em resposta a uma missão intelectual quase imposta pelo seu mestre Ernesto Renan. A obra, publicada em França em 1893 e traduzida em várias línguas, é considerada uma das melhores biografias do Poverello e fruto de um trabalho árduo e sério de investigação, com base em documentos inéditos descobertos nos arquivos italianos. A importância e o impacto desta obra, bem como o currículo de Sabatier, professor de História Eclesiástica na Faculdade de Teologia da Universidade de Estrasburgo, cidadão honorário de Assis, membro da Academia Real de Roma, presidente honorário da Sociedade Internacional de Estudos Franciscanos e doutor "honoris causa" pelas Universidades de Oxford, Aberdeen e Edimburgo, não evitou a sua inclusão no Index.

13 Alguns títulos de periódicos ingleses, respigados de citações na sua obra: The Christian Commonwealth, Daily Chronicle, Glasgow Herald, Hibbert Journal, Manchester Guardian, Millgate Monthly, Spectator, Times.

14 LIMA, Jaime de Magalhães – A guerra: Depoimentos de herejes. Coimbra: F. França Amado, 1915, p. 11.

15 Idem, p. 20.

16 LIMA, Jaime de Magalhães (1986) – Entre pastores e nas serras. [Aveiro]: Portucel, 1986, p. 16.

17 Afirmava Sérgio, na Pela Grei de Janeiro de 1918: "O ideal da Democracia, em suma, é o governo da nação por elites naturais, criadoras da opinião pública e executantes da opinião pública; o governo da persuasão pelo escol da inteligência." In SÉRGIO, António – Ensaios I. 3.ª ed. Lisboa: Livraria Sá da Costa, 1980. p. 232.

18 LIMA, Jaime de Magalhães – Via redemptora. Coimbra: França Amado, 1905. p. 172-173.

19 LIMA (1986), p. 17-18.

20 LIMA, Jaime de Magalhães – Apóstolos da Terra. Coimbra: Typographia França Amado, 1906, p. VII.

21 LIMA, Jaime de Magalhães – O amor das nossas coisas e alguns que bem o serviram: Ramalho, Camilo, Eça, Antero, Oliveira Martins, Manuel da Silva Gaio, Lopes Vieira e Correa de Oliveira. Coimbra: Imprensa da Universidade, 1933, p. 56.

22 Carta de Antero de Quental a Jaime de Magalhães Lima, datada de Vila do Conde, 14 de Novembro de 1886. Ver supra, nº 3, p. 12.

23 Ver supra, nº 21, p. 6.

24 LIMA, Jaime de Magalhães – Rogações de Eremita. Porto: Casa Editora de A. Figueirinhas, [1910]. 123 p.

25 LIMA, Jaime de Magalhães – Salmos do Prisioneiro. Coimbra: F. França Amado, 1915. 59 p.

26 LIMA, Jaime de Magalhães – S. Francisco de Assis: servo e menor. Coimbra: França Amado, 1908, p. 63.

27 Ver supra, nº 7, p. 202-203.

28 LIMA, Jaime de Magalhães – Santos, filósofos e regedores. In Lusitânia. Lisboa. Vol. 2 (1924), p. 122. Carta de Jaime Lima a António Sérgio.

JOÃO AFONSO DE AVEIRO (notas biográficas)

Discute-se ainda hoje quem de facto terá sido este João Afonso de Aveiro, que dá o nome a um poeta e a um navegador dos finais do século XV, havendo alguns autores que reúnem as duas facetas no mesmo indivíduo, enquanto outros optam por pessoas distintas.
A documentação conhecida permite-nos identificar apenas uma personagem com este nome. Referimo-nos ao filho de Afonso Domingues de Aveiro, o moço, cidadão de Coimbra, onde foi vereador (1424) e juiz (1426), e de sua mulher, uma senhora da família dos “Velhos”. Por sua vez, este Afonso Domingues era filho de outro Afonso Domingues, que também usava o apelido “Aveiro” e que aqui teria nascido.

Este último Afonso Domingues de Aveiro, o avô de João Afonso, casou com D. Maria Francisca, filha do alvazil geral de Coimbra Afonso Peres, tendo sido sobrejuiz em Coimbra e um dos procuradores às Cortes que se realizaram nesta cidade em 1385, nas quais o Mestre de Avis foi aclamado rei de Portugal. Foi também o cidadão indigitado por Coimbra para integrar o conselho privado de D. João I, embora se ignore se terá sido um dos escolhidos pelo monarca.
O primeiro Afonso Domingues de Aveiro era homem de grande fortuna, possuindo várias propriedades em Coimbra, Aveiro e Aradas, muitas das quais pertenciam a seus pais e a sua avó Maria Anes. O rol destes bens consta do testamento que fez em 1417 (vd. Madaíl, 1959: 156-159), através do qual vinculava todas as suas propriedades e muitos bens móveis à capela e morgado que instituiu na Igreja de S. Tiago em Coimbra, nomeando sua filha natural Maria Afonso, casada com Pedro de Alpoim, como primeira administradora deste vínculo. Tendo esta senhora morrido sem filhos, a administração da capela passou ao seu meio-irmão, o referido Afonso Domingues de Aveiro, o moço.
Afonso Domingues de Aveiro, o moço, teve pelo menos seis filhos: um outro Afonso Domingues de Aveiro, o terceiro administrador do vínculo, falecido sem geração, Catarina Velho, que morreu antes do pai, Isabel Velho, casada com Lopo de Alpoim, o velho, Branca Velho, Teresa Velho e o mais novo, o nosso João Afonso de Aveiro que, durante algum tempo, foi o quarto administrador da capela instituída por seu avô. João Afonso ter-se-ia apropriado da administração destes bens sem que para tanto tivesse legitimidade, que, em julgado, a irmã mais velha os conseguiu para si, transmitindo-os de imediato ao seu filho Lopo de Alpoim, o moço, que terá morrido cerca de 1488 e que, vinte anos antes, era juiz da relação de Coimbra.
A condição de último filho terá obrigado João Afonso de Aveiro a procurar, noutras paragens, um futuro mais promissor, o que, à partida, estaria facilitado pela formação recebida, na tradição de uma família que esteve sempre ligada aos altos cargos municipais de Coimbra.
Pensamos que este João Afonso reúne em si o poeta do Cancioneiro de Garcia de Resende e o fundador da feitoria de Gató (Benim), no Golfo da Guiné, e que terá sido, porventura, o proprietário dos ofícios que, mais à frente, fazemos convergir na sua pessoa.

Muito do que se tem escrito sobre a vida de João Afonso de Aveiro corresponde a uma leitura acrítica do que Barbosa Machado escreveu na sua Biblioteca Lusitana (vol. 2, p. 577), repetido mais tarde por Teófilo Braga na obra Poetas Palacianos. Ferreira Neves, um acrisolado estudioso das coisas aveirenses, chamava a atenção para muitas dessas incongruências, embora o eco das suas conclusões tenha sido quase nulo. Tudo indica que Barbosa Machado se enganou na filiação de João Afonso de Aveiro, e também quando lhe atribui a qualidade de criado de D. Diogo, o 4º duque de Beja e 5º duque de Viseu morto por D. João II em 1484.
Teófilo Braga, para além de seguir Barbosa Machado, acrescenta que João Afonso teria estado envolvido na conspiração que atentou contra a vida de D. João II, sendo esta a razão que o teria levado a ir «viver nas Ilhas». Para tanto estribou-se no título atribuído por Garcia de Resende a uma das poesias compiladas no seu Cancioneiro, poema que o seu autor, o coudel-mor Fernão da Silveira, dirige a João Afonso de Aveiro:

Trovas do coudel moor a Joam Afonsso daueiro, que se foy a viuer nas jlhas, e de laa escreueo que fyzesse algumas cousas por ele, em que entrou fallar a sua dama, e despachar outras com a senhora jfante, e co duque mas ysto veo no tempo da morte do duque.
Em nossa opinião, a explicação para este título poderá residir no conflito que opôs João Afonso a sua irmã Isabel Velho, pela posse da administração do vínculo instituído pelo seu avô, que veio a ser dirimido a favor desta última. O envolvimento de Fernão da Silveira, para além da amizade que o unia a João Afonso, poderia ter motivações parentais, considerando a possibilidade do coudel-mor do Reino ser parente de Catarina Álvares da Silveira, a mulher de João Caldeira, filho de Branca Velho e, por isso mesmo, sobrinho de João Afonso. Com efeito, este João Caldeira, vereador da Câmara de Coimbra em 1468, viria a ser o 8º administrador daquele vínculo.
Afastado da posse daqueles bens, João Afonso de Aveiro teria que procurar a sua independência nos altos cargos do Estado e na aventura marítima. Daí a hipótese de ser ele o cavaleiro João Afonso que, antes de 1463, ocupava o cargo de tesoureiro da moeda de Lisboa e que, nesse ano, foi provido no lugar de contador na cidade de Évora onde, por várias vezes, a Corte estanciou (Moreno, 1980: 894). Poderá ainda ser o João Afonso, cavaleiro da casa do rei, que, em 8 de Março de 1484, foi substituído por Rui Velho no cargo de almoxarife de Santarém (Moreno, 1980: 1081). As coincidências favorecem esta hipótese, se considerarmos que Rui Velho poderia ser seu parente, que sua mãe pertencia a esta família e, segundo Rui de Pina, ter sido nesse ano de 1484 que João Afonso de Aveiro chegou a Gató.
Não podemos, no entanto, ignorar as divergências a nível das fontes, no que se refere à saída de João Afonso para as «Ilhas», isto é, para terras ultramarinas. Se Rui de Pina aponta o ano de 1484, João de Barros (Década I, Liv. III, cap. 3) situa o acontecimento em 1486, informando que, de regresso a Portugal, trouxe consigo um embaixador do rei de Benim e uma amostra da pimenta africana. Mas as duas datas poderão corresponder a duas viagens, que nem seriam as únicas, caso haja correspondência entre o nosso biografado e o João Afonso comandante de um dos navios da frota de Diogo de Azambuja que, em 1481, viajou para o Golfo da Guiné com a missão de edificar a feitoria da Mina. a participação do navegador numa das frotas de Diogo Cão não tem qualquer suporte documental, fundando-se em leitura cabalística de alguns sinais das inscrições da chamada pedra de Ielala, encontrada nas cataratas do mesmo nome, no rio Zaire.
Se todas estas qualidades convergiram na mesma pessoa, João Afonso de Aveiro, nascido em Coimbra e com avós aveirenses, teria sido poeta, navegador e também homem de mercancia, ou D. João II não o teria encarregado de fundar e dirigir a feitoria de Gató ou Ugató. Devido à sua insalubridade, que teria estado na origem da morte de João Afonso em terras da Guiné, esta feitoria acabaria por ser abandonada ainda no reinado do Príncipe Perfeito.

Bibliografia:

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CRISTO, António (1951) – João Afonso de Aveiro: Introdução a um estudo sobre o famoso navegador aveirense. Aveiro. Arquivo do Distrito de Aveiro. Vol. 17, n.º 65 (1951) 3-22.

CRISTO, António (1956) – O poeta João Afonso de Aveiro. Porto. 21, [3] p.

CRISTO, António (1960) – Alguns problemas sobre João Afonso de Aveiro. Braga. 126, [2] p.

FREITAS, Joaquim de Melo (1878) – Violetas. Porto: Imprensa Portuguesa. p. 311-317.

MACHADO, Diogo Barbosa – Bibliotheca lusitana historica, critica, e cronologica. Na qual se comprehende a noticia dos authores portuguezes, e das obras, que compuseraõ desde o tempo da promulgaçaõ da ley da graça até o tempo prezente. Lisboa, 1741-1759. 4 vol.

MADAÍL, António Gomes da Rocha (org. leitura e revisão) – Colectânea de documentos históricos. I. 959-1516. Aveiro: Câmara Municipal, 1959. p. 156-159.

MORENO, Humberto Baquero – A batalha de Alfarrobeira: antecedentes e significado histórico. Coimbra: Universidade, 1979-1980. p. 894 e 1081.

NEVES, Francisco Ferreira (1957) – Naturalidade e família de João Afonso de Aveiro: navegador e poeta do século XV. Aveiro. Arquivo do Distrito de Aveiro. Vol. 23 (1957) 65-84;

NEVES, Francisco Ferreira (1959) – Para a história da estátua de João Afonso de Aveiro. Aveiro. ADA. Vol. 25 (1959) 280-285.

RESENDE, Garcia de (1902) – Crónica de D. João II, contendo a interessantíssima Miscelânea. Lisboa, 1902.