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Cada topónimo, cada nome de lugar, terá a sua origem, a sua razão de ser, mesmo que seja uma razão que pareça ou apareça sem razão. Gentes e lugares, porque sem gente não há lugares, mesmo que os haja. Os lugares precisam de um nome e de quem os nomeie, precisam de gente. Mas as gentes também precisam de um lugar, para ser e para estar...
K. au poteau!
Choro por ti, Checoslováquia,
caminhos de assombros,
encruzilhada de medos
terra calcada por todos os ditadores do Erro,
chave da Europa à mercê dos ladrões!
Que culpa terás de ser mais evoluída?!
de teres a capitação de 1200 dólares,
e, a URSS, a de 980 apenas?...
Choro por ti, Checoslováquia,
irmã gémea e lutuosa do Vietname, —
os dois pinhais da Azambuja!
Meu amigo Zdenek,
que traduziste o Camões e o Eça,
e vieste ao meu encontro numa rua de Aveiro,
só porque tinhas, lá longe,
um mau retrato meu! —
Que posso fazer pelos teus?!
Choro por ti, Checoslováquia,
vítima da cupidez nazista
e dos seus post-justiceiros, — os filisteus estalineptos!
Se tiver de morrer «errado»,
morrerei como tu, Checoslováquia,
socialista socialienado!...
Foram cem os erros (já) do socialismo!?
Fossem cem mil — e socialistas seríamos!
Choro por ti, Checoslováquia:
manda que o faça o futuro!,
exige que o reprima o presente,
— ironia trágica e pútrida!
Escarro vivo
de cintilantes sóis,
noite gelada
de rumorosa manhã…
Fátuo ser!
Poteau...
K!
Mário Sacramento, 1968
1968: «PRIMAVERA DE PRAGA» — Quando a Checoslováquia pretendeu enveredar por um socialismo de rosto humano, atento às liberdades individuais, a URSS e os tanques do Pacto de Varsóvia responderam com a invasão de 20 de Agosto de 1968. Mário Sacramento deixou a sua amargura nas páginas do seu Diário, que viria a ser publicado em 1975, exprobrado desses escritos. As páginas «censuradas», em que se inclui o poema K. au poteau! foram publicados em 1990 no semanário O Jornal, por vontade expressa da viúva de Mário Sacramento [Sacramento, Mário – K. au poteau! O Jornal (5 Jan.1990) p. 31].
Interpretação do título do poema:
Коммунизм [Kommuniem «comunismo»]
Au poteau! À morte! (grito de ameaça)
Poteau du condamné; poteau d'exécution: poste a que se amarra alguém que vai ser fuzilado.
No poema corresponde ao sentido figurado da expressão mettre [ou exposer] quelqu'un au poteau, isto é, expor alguém ao desprezo público, à indignação pública.
«Andoeiro», de «ândoa» + -eiro, é o sítio onde existe a «ândoa», apelativo aveirense para uma espécie de barro azulado que se extraía junto à Ria e servia para aplicar no fundo dos cristalizadores das marinhas. Os dicionários registam a forma «andoa» que não aparece em Aveiro, sendo certo que esta fala é uma loquela da salicultura aveirense, não aflorando em nenhuma outra região do País, nem nas restantes línguas românicas.
A voz «andoa», que os nossos dicionaristas consideram de «origem obscura», poderá ser uma forma regressiva do verbo «andoar», e não a origem deste verbo, geralmente explicado como uma formação de «andoa + -ar».
A nossa conjectura assenta no facto de fazer pouco sentido a permanência de uma voz para «barro», circunscrita à zona das marinhas de Aveiro, sem que lhe encontremos uma possível etimologia, mesmo a nível de substratos.
Em nossa opinião estamos perante uma metonímia, em que um verbo, designando uma determinada operação da safra salineira, passaria a designar o material utilizado, através de um novo substantivo, obtido desse mesmo verbo por derivação regressiva.
O dicionarizado «andoa», sendo paroxítono, exigiria a forma *andona, o que a fala proparoxítona aveirense dispensa, pelo que o nosso ponto de partida, para tentar encontrar uma possível origem para esta fala, será a voz «ândoa», como se pronuncia localmente (Dias, 1996: 24).
E, para chegarmos ao nosso objectivo, nada melhor que dar a palavra a um profundo conhecedor das saliculturas nacional, internacional e aveirense em particular, para que a voz do especialista** nos explique o que seria esse «andoar»:
A operação denominada andoar, consiste em estender uma camada fina de andoa por sobre o fundo dos cristalisadores, um pouco gretado pela retracção do terreno, apezar das repetidas circiadellas que se lhe deram. Para se andoar uma salina pulverisa-se primeiro o barro sobre o pavimento duro das eiras, e leva-se em seguida para a parte superior dos meios de baixo, onde os marnotos fazem com elle caldeirinhas, casulas, que enchem com a água dos meios de cima. N’esta água dilue-se a própria andoa até ficar em massa muito rara. Chegada a este ponto dá-se com ella uma barrela aos cristalizadores; quer dizer, estende-se pela sua superfície em camada muito fina. Tal é a primeira operação que se pratica no dia em que se deita a marinha (Alcoforado, 1877: 64; mantivemos a grafia do original).Enriquecidos pelas explicações de Maia Alcoforado, estamos agora melhor preparados, para procurar uma resposta credível, que ilumine a obscuridade dos nossos dicionários.
DOSSÃOS (freguesia do concelho de Vila Verde, distrito de Braga); LAÇÕES (lugar da freguesia e concelho de Oliveira de Azeméis, distrito de Aveiro).
DEZA (comarca e rio da Galiza); DOZÓN (lugar da freguesia de Dozón, concelho de Dozón, província de Pontevedra; freguesia do concelho de Dozón; concelho da província de Pontevedra); PORTO DE SON (lugar da freguesia de Noal, concelho de Porto de Son, província da Corunha; concelho da província da Corunha).
Pede-me um leitor que interprete a origem do topónimo “Lações”, actualmente inserido na área urbana da cidade de Oliveira de Azeméis, no distrito de Aveiro. A pesquisa efectuada, e a sua ligação a “Dossãos”, permitem-me dar mais uma achega à postagem publicada por Calidónia no seu blogue, no passado dia 2 de Maio.
No Minho, identificando uma freguesia do concelho de Vila Verde, no distrito de Braga, temos o topónimo Dossãos que deveria ser Doçãos, se considerarmos as ocorrências registadas documentalmente: Dezaos em 1220 e 1258; Duçães em 1290; de Çãaes [por Doçãaes] em 1320; Daçaaes em 1371; Doçãaos em 1400 e 1424; Doçãos em 1528 (Costa, 1959: vol. 2, p. 180).
Na freguesia e concelho de Oliveira de Azeméis, no distrito de Aveiro, temos também um "Lações" que é uma evolução popular de Doçãos, correspondendo ao topónimo Dezanos que aparece citado num documento de 922 (LP-1, p. 120; DC25), entre Vila Chã e as vilas de Santiago de Riba-Ul e Oliveira. A sequência textual facilita a identificação dos topónimos, que se integravam no território de Abranca (actual Cristelo, na freguesia da Branca?):
«De Abranca alias ecclesias prenominatas Sancto Petro de Villa Plana cum suos dextros integros et suas adiectiones. Et villa de Dezanos per suos terminos antiquos et sua ecclesia vocabulo Sancti Michaelis et suos dextros integros. Et in Ripa de Ul ecclesia Sancti Iacobi et suos dextros integros et villa Olivaria ecclesia vocabulo Sancti Michaelis cum suos dextros integros et suas adiectiones.»
Tradução: «[Do território] de Branca [Cristelo, freguesia da Branca] outras igrejas chamadas São Pedro de Vila Chã [Vila Chã de S. Roque, freguesia que ainda hoje tem S. Pedro por orago], com os seus destros [ou passais, correspondendo a parcelas de terreno cultivadas pertencentes à paróquia] íntegros [livres de quaisquer encargos] e as suas pertenças. E a vila de Dezanos [actual “Lações”], pelos seus termos antigos e a sua igreja chamada S. Miguel, e seus destros íntegros. E em Riba de Ul a igreja de S. Tiago [actual Santiago de Riba-Ul] e seus destros íntegros e na vila [de] Oliveira [de Azeméis] a igreja chamada de S. Miguel [continua a ser o orago desta freguesia] com os seus destros íntegros e as suas pertenças.»
Com alguma lógica, A. de Almeida Fernandes (1999: 245, s.v. “Doções”) considera que estes topónimos têm por base dezanos, o gentílico do território medieval galego de Deza, actual comarca do mesmo nome, apontada como origem dos migrantes fundadores das duas povoações portuguesas, uma no território portucalense (“Dossãos”) e a outra na terra de Santa Maria (Dezanos, actual “Lações”).
Curiosamente, a evolução d- > l-, detectada na passagem de Dezanos a “Lações, é um fenómeno que encontramos episodicamente na evolução do latim arcaico para o latim clássico, como nos casos de dacruma > lacrima “lágrima”, dautia > lautia “presentes oferecidos aos embaixadores”, dingua > lingua “língua”. Também se verificam alguns casos em que -d- e -l- alternam em formas com uma origem comum, como no latim odor “odor” e olor “olor” (de oleo), udus “húmido” e uligo “humidade”, sedeo “eu estou sentado” e solium “assento, trono” (por alternância vocálica) (Niedermann, 1945: 119-120).
A ligação da terra portucalense ao território de Deza comprova-se por documentos do século X como, por exemplo, os números 66 e 76, respectivamente dos anos 952 e 959, dos Portugaliae Monumenta Historica: Diplomata et Chartae, envolvendo uma permuta de propriedades entre Bermudo Afonso e sua tia Mumadona Dias, a fundadora do mosteiro de Guimarães. Esta senhora tinha propriedades «que sunt territorio galatie in Valle Deza» (doc. 66, ano 952), bens identificados (doc. 76, ano 959) como «villa de Portus in Dezza» (Herculano, 1867: 38 e 46), possivelmente o actual Porto de Carrio, na freguesia de Losón, concelho de Lalín, comarca de Deza.
Quanto ao topónimo Deza, corónimo de um território medieval, actual comarca galega, mas também um hidrotopónimo que identifica um rio da mesma região, já o encontramos em documentos suevos do século VI, como sejam as actas do concílio de Lugo de 569, em que aparece o Comitatus Deza, e do concílio de Braga de 572, com uma descrição pormenorizada dos termos do Comitatus Decensis (Risco, 1796: 343 e 347), uma clara manifestação da organização administrativa dos germanos. É por isso de rejeitar a opinião expressa na EGU (vol. 7, p. 264) de que a comarca e o próprio rio teriam recebido o nome dos senhores de Deza; o contrário é que é historicamente válido.
A interpretação que encontramos para a voz Deza faz recuar o topónimo aos primeiros indo-europeus que teriam chegado ao local, aí estabelecendo o seu território. A ligação indo-europeia não a encontrámos em nenhuma das actuais falas célticas, mas sim na vetusta língua sânscrita em que a voz deśá significava «localidade, terra de naturalidade, lugar; região, província, país, nação».
Resta-nos o problema dos topónimos galegos Dozón e Porto do Son (uma infeliz tradução de Dozón) [Porto de Doçon > Porto de Oçon (queda do -d- intervocálico) > Porto d'Oçon (resolução da crase) > Porto Doçon] . No sânscrito encontramos as falas dāśa ou dāsa, com o significado de “pescador, barqueiro”, que poderiam responder ao topónimo costeiro, mas que não se ajustam às condições geográficas de Dozón. A única probabilidade que nos parece razoável, tendo em conta os elementos recolhidos, centra-se no possível nome do possuidor, que poderia ser um Donazano, antropónimo que encontrámos num documento datado de 1001 (LP-3: 179) e que, em galaico-português, evoluiria perdendo os dois -n- intervocálicos.
COSTA, Avelino Jesus da (1959) ─ O Bispo D. Pedro e a Organixação da Diocese de Braga. Coimbra: Faculdade de Letras da Universidade. 2 vol.
COSTA, Avelino de Jesus da; VENTURA, Leontina; VELOSO, M. Teresa (eds.) (1977-1979) ─ Livro Preto da Sé de Coimbra. Coimbra: Arquivo da Universidade de Coimbra. 3 vol. Citados por LP-1, LP-2 e LP-3.
EGU – Enciclopedia Galega Universal. Ed. de Bieito Ledo Cabido. Vigo: Ir Indo Edicións, 1999-2006. 16 vol. ISBN 84-7680-288-9.
FERNANDES, A. de Almeida (1999) — Toponímia Portuguesa: Exame a um dicionário. Arouca: Associação para a Defesa da Cultura Arouquense. 576 p. ISBN 972-9474-13-3.
HERCULANO, Alexandre (ed.) ─ Portugaliae Monumenta Historica: a saeculo octavo post christum usque ad quintumdecimum. Diplomata et Chartae. Lisboa: Academia Scientiarum, 1867-1873. 564 p. Citado por DC + número do documento.
LIVRO PRETO da Sé de Coimbra. (1977-1979) Ed. de COSTA, Avelino de Jesus da; VENTURA, Leontina; VELOSO, M. Teresa. Coimbra: Arquivo da Universidade de Coimbra. 3 vol. Citados como LP-1, LP-2 e LP-3.
NIEDERMANN, Max (1945) ─ Précis de phonétique historique du latin. Nouveau tirage. Paris: Librairie C. Klincksieck. 279 p.
RISCO, Manuel (1796) ─ España Sagrada: Tomo XL. Antiguedades de la ciudad y S.ta Iglesia de Lugo [...]. Madrid: en la oficina de la viuda é hijo de Marin, 1796. [12], 432 p.
Como os Galegos, também os Portugueses são um povo de emigração que, como tal, sente ou já sentiu na carne a exploração denunciada nestes versos de Rosalía Castro, a grande senhora das letras galegas. Bom seria que os portugueses rejeitassem essa exploração, quando os oprimidos são os imigrantes que nos escolheram na procura de melhores condições de vida, muitos dos quais são vítimas de uma feroz gatunagem, por parte de gentalha sem escrúpulos.
Castellanos de Castilla,
tratade ben ós gallegos;
cando van, van como rosas;
cando vén, vén como negros.
─ Cando foi iba sorrindo,
vando veu, viña morrendo
a luciña dos meus ollos,
o amantiño do meu peito.
Aquel máis que neve branco,
aquel de doçuras cheyo,
aquel por quen eu vivía
e sin quen vivir non quero.
Foi a Castilla por pan,
e saramagos lle deron;
déronlle fel por bebida,
peniñas por alimento.
Déronlle, en fin, canto amargo
ten a vida no seu seo...
¡Castellanos, castellanos,
tendes coraçón de ferro!
¡Ay!, no meu corazonciño
xa non pode haber contento,
que está de dolor ferido,
que está de loito cuberto.
Morreu aquel que eu quería
e para min n-hai consuelo:
solo hai para min Castilla,
a mala lei que che teño.
Permita Dios, castellanos,
castellanos que aborreço,
que antes os gallegos morran
que ir a pedirvos sustento.
Pois tan mal coraçón tendes,
secos fillos do deserto,
que si amargo pan vos ganan,
dádesllo envolto en veneno.
Aló van, malpocadiños,
todos de esperanzas cheyos,
e volven, ¡ay!, sin ventura,
con un caudal de despreços.
Van probes e tornan probes,
van sans e tornan enfermos,
que anque eles son como rosas,
tratádelos como negros.
¡Castellanos de Castilla,
tendes coraçón de aceiro,
alma como as penas dura,
e sin entrañas o peito!
En trós de palla sentados,
sin fundamentos, soberbos,
pensás que os nosos filliños
para serviros naceron.
E nunca tan torpe idea,
tan criminal pensamento
coupo en máis fátuas cabezas
ni en máis fátuos sentimentos.
Que Castilla e castellanos,
todos nun montón a eito,
non valen o que unha herbiña
destes nosos campos frescos.
Solo peçoñosas charcas
detidas no ardente suelo,
tés, Castilla, que humedezan
esos teus labios sedentos.
Que o mar deixoute olvidada
e lonxe de ti correron
as brandas auguas que traen
de prantas cen semilleiros.
Nin arbres que che den sombra,
nin sombra que preste alento...
Llanura e sempre llanura,
deserto e sempre deserto...
Esto che tocou, coitada,
por herencia no universo,
¡miserable fanfarrona!...
triste herencia foi por certo.
En verdad non hai, Castilla,
nada como ti tan feyo,
que inda mellor que Castilla
valera decir inferno.
¿Por qué aló foches, meu ben?
¡Nunca tal houberas feito!
¡Trocar campiños frolidos
por tristes campos sin rego!
¡Trocar tan craras fontiñas,
rios tan murmuradeiros
por seco polvo que nunca
mollan as bágoas do ceo!
Mais, ¡ay!, de onde a min te foches
sin dór do meu sentimento,
y aló a vida che quitaron,
aló a mortiña che deron.
Morreches, meu quiridiño,
e para min n-hay consuelo,
que onde antes te vía, agora
xa solo unha tomba vexo.
Triste como a mesma noite,
farto de dolor o peito,
pídolle a Dios que me mate,
porque xa vivir non quero.
Mais en tanto non me mata,
castellanos que aborreço,
hei, para vergonza vosa,
heivos de cantar xemendo:
¡Castellanos de Castilla,
tratade ben ós gallegos;
cando van, van como rosas;
cando vén, vén como negros!.
Rosalía Castro, 1863 (in Cantares Gallegos)
postado
apresentação do livro em AVEIRO:
144 pp. | 20x22 cm | ISBN: 978-989-626-166-6 | Fora de Colecção | PVP: 18.90 €
(Newsletter da editora, in http://www.campo-letras.pt/newsletter_aveiro.html)
Portugal (ocorrências registadas na Carta Militar 1:25 000; entre parênteses os respectivos concelhos):
Aido (concelhos de Barcelos, Castelo de Paiva, Cinfães e São Pedro do Sul), Aido d'Além (Albergaria-a-Velha), Aido de Baixo (Vale de Cambra), Aido de Cima (São Pedro do Sul), Aidos (Trofa e Vila Nova de Gaia), Azenha do Aido (Estarreja), Cabeço do Aido (Cantanhede), Chã do Aido (Cinfães), Quinta do Aido (Marco de Canaveses).
Baixo do Eido (concelho de Ponte de Lima), Cabo do Eido (Arcos de Valdevez), Casa Abrigo da Pena do Eido (Ponte da Barca), Costa do Eido (Ponte da Barca), Eido [concelhos de Amarante (4), Amares, Arcos de Valdevez (2), Baião (2), Barcelos (4), Braga (2), Castro Daire (2), Celorico de Bastos (3), Felgueiras (2), Guimarães (4), Lamego, Mesão Frio, Monção, Ponte da Barca (2), Ponte de Lima, Vila Real e Vizela], Eido de Baixo [Barcelos, Fafe, Felgueiras, Ponte de Lima (2), Vieira do Minho], Eido de Cima (Amarante, Barcelos, Ponte de Lima, Valença), Eido do Marzagão (Braga), Eido Novo (Valença), Eido Velho (Ponte de Lima), Eidos [Barcelos (2), Felgueiras, Fornos de Algodres, Guimarães (3), Marco de Canavezes, Vila Verde (2)], Entre o Eido (Paredes de Coura), Quinta do Eido (Lousada), Ribeira do Eido (Vila Real), Vale do Eido (Guarda).
bibliografia:
LAPESA, Rafael (1991) – Historia de la lengua Española. Prólogo de Ramón Menéndez Pidal. 9ª ed. corrig. e aum; 7ª reimp. Madrid: Editorial Gredos. 690 p. (Biblioteca Románica Hispánica/Manuales; nº 45). ISBN 84-249-0072-3.
Os cereais eram todos de sequeiro e exigiam terras enxutas (agras), onde se cultivavam alternadamente espécies de Inverno ─ trigo, centeio, cevada ─ e de Verão ─ milho alvo e painço (Ribeiro, 1986: 111-112).Na Galiza as "agras" constituíram uma forma de organização agrária, havendo pelo menos duas em cada aldeia, uma para cada folha de cultivo. Eram amplos terrenos de cultivo, principalmente de cereais, que, embora delimitados no seu conjunto, estavam divididos em parcelas abertas. Estes campos galegos tinham, nalguns casos, outras denominações, como veiga, vilar ou estivo (Villares, 1991: 27), e eram os usos colectivos que regiam o ritmo dos respectivos trabalhos, e determinavam o tipo e a alternância de cultivos (EGU, vol. 1, p. 217).
Como dissemos numa postagem anterior, em 16 de Maio de 1828 começou em Aveiro uma revolução liberal, com fortes ligações ao Porto, que pretendia pôr fim ao golpe absolutista de D. Miguel. A tomada de posição do Porto estava prevista para o dia 17, mas, acontecimentos imprevistos, levaram à antecipação para o dia 16.
Na preparação desta revolução destacaram-se os membros da maçonaria local, nomeadamente os elementos da loja maçónica que funcionou em Aveiro, nas instalações da Quinta dos Santos Mártires (junto à capela homónima, na actual Baixa de Santo António), bem como a maior parte dos oficiais do Batalhão de Caçadores 10.
A direcção dos trabalhos que levaram a esta revolução coube ao desembargador Joaquim José de Queirós, que viria a integrar a Junta do Porto. A grande maioria dos chefes políticos e militares das forças liberais não se mostraram à altura das suas responsabilidades, condenando este movimento ao fracasso. Restou a fuga, cobarde nuns casos, corajosa noutros, o homizio e o exílio. Fuga cobarde dos elementos da Junta que abandonaram tudo e todos para embarcarem no navio Belfast, em direcção a Inglaterra; fuga corajosa dos chefes militares e de alguns políticos, como o Conselheiro Queirós, que optaram por acompanhar as tropas desmoralizadas, sob péssimas condições meteorológicas, atravessando toda a Galiza, para embarcarem nas costas do Cantábrico, em direcção aos miseráveis barracões que os aguardavam em Plymouth. O exílio ou o homizio duraria até 1832, quando as forças liberais, comandadas por Pedro IV (o imperador Pedro I do Brasil) desembarcaram na Praia de Arnosa do Pampelido, perto do Mindelo, para, passados dois anos de feroz guerra civil, controlarem o País e reinstaurarem o Liberalismo.
Toponímia urbana aveirense:
bibliografia:
GOMES, Marques — Aveiro berço da Liberdade: A revolução de 16 de Maio de 1828. Aveiro: [Câmara Municipal], 1928. 88 p.
Tem Aveiro dois beatos de peso, um e outro canonizados na rua, mas não na Igreja Católica. Um, “São” Gonçalinho, é obra popular, de construção beira-marense, com dança dos mancos dentro da capela, e bodo de cavacas, atiradas do alto da mesma, com força de abrir cabeças; outro, “Santa” Joana, beatificada pela Igreja e canonizada pelo clero local, num trabalho de sapa que recua ao século XVI e se prolonga nos nossos dias.
Esta nossa beata, padroeira da cidade, com direito a culto local, e só local, entrou em Aveiro anunciada por um cometa, tal qual o menino de Belém, secou o pomar do mosteiro com a simples passagem do seu féretro, e ainda veio do outro mundo para dois dedos de conversa com as freiras mais chegadas (Dias, 1987: fl. 34v-35v; 82v; 85v-87v).
O dia 12 de Maio, data da sua morte, foi arvorado em feriado municipal, substituindo o dia 16 de Maio, em que se lembravam os mártires da Liberdade, vítimas dos algozes a soldo do absolutismo miguelista, e a revolução liberal iniciada em Aveiro.
Para meditação dos crentes e não-crentes, nesta data de sossego municipal, este ano ao serviço do patronato, já que ocorre num fim de semana, deixamos dois documentos e algumas datas, o princípio de um enredo que merecia alguns fólios de ficção. Bem hajam!
Documento 1: